Quatro municípios do AM são mais vulneráveis às mudanças climáticas

A informação é do SisVuClima, resultado de uma parceria da Fiocruz com o Ministério do Meio Ambiente

Da Redação

Manaus – Quatro municípios do Amazonas são os mais vulneráveis às mudanças climáticas, segundo o software SisVuClima, uma ferramenta do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, executado pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. Tapauá, Juruá, Santa Isabel do Rio Negro e Atalaia do Norte seriam os mais afetados  em uma das análises, que relaciona a pobreza com a mudança climática, considerando o acesso da população a serviços de saúde, educação e qualidade de vida.

Ferramenta relaciona a pobreza com a mudança climática. Além disso, aponta para locais com mais riscos de deslizamentos e incêndios florestais

Os dados consideram números de mortalidade infantil, ao analfabetismo e à baixa renda. Estes fatores contribuem para uma vulnerabilidade elevada, tendo em vista que as populações residentes nessas cidades teriam mais dificuldades para lidar com os efeitos adversos do clima.

“O sistema possibilita identificar qual parte do território está mais e menos vulnerável às alterações do clima e os mais aptos a se recuperar de possíveis impactos climáticos. Com essas informações, o gestor terá um instrumento para nortear suas ações e um critério quantitativo para dar prioridade às estratégias de atuação”, explica o coordenador do projeto e pesquisador da Fiocruz, Ulisses Confalonieri.

A ferramenta também foi desenvolvida para avaliar a vulnerabilidade dos municípios do Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

 

A situação de Manaus

A região de Manaus tende a ser afetada por deslizamentos e inundações devido à elevada concentração populacional. Os impactos das mudanças climáticas podem dificultar o acesso à água potável, gerar insegurança alimentar e prejudicar a pesca, a agricultura e a pecuária, principalmente de subsistência. Especificamente para o Amazonas, as secas comprometeriam a navegação e, consequentemente, o abastecimento de água, alimentos e combustível.

Nesta quarta e quinta-feira, 25 gestores e técnicos do Estado participarão de uma capacitação sobre o SisVuClima, no Quality Hotel. O software aponta, por exemplo, para um aumento de temperatura de até 5°C, redução de 25% no volume da precipitação total anual e elevação de 36% no número de dias seguidos sem chuva.

Esses cenários climáticos associados a dados sobre saúde, população vegetação, ocorrência de eventos extremos e estruturas socioeconômicas, permitem definir quais municípios do Estado do Amazonas estariam vulneráveis à mudança do clima.

A proposta da ferramenta é possibilitar o planejamento de ações a médio e longo prazo para reduzir os impactos das mudanças climáticas e aumentar a capacidade de adaptação da população a este novo cenário. O sistema é um produto do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, executado pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

 

Deslizamentos e incêndios florestais

O SisVuClima gera 67 tipos de informações sobre os municípios amazonenses, incluindo dados sobre a ocorrência de desastres naturais. De acordo com a ferramenta, as porções sul e sudeste do estado seriam as mais impactadas para este indicador.

O município de São Paulo de Olivença, por exemplo, seria o mais suscetível a lidar com deslizamentos decorrentes de fortes chuvas, enchentes, enxurradas, alagamentos, seca/estiagem e incêndios florestais.

Boca do Acre, Canutama e Humaitá também seriam cidades mais vulneráveis a essas situações.

 



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