Duas rodas tem alta após seis anos de queda

Polo registra mais de 1 milhão de motocicletas produzidas após acumular quedas desde 2011, quando marcou 2,1 milhões de unidades, segundo os dados da Abraciclo

Beatriz Gomes / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O setor de Duas Rodas voltou a ter alta na produção após bater 1 milhão de unidades, em 2018, 17,4% acima de 2017. O resultado do ano, na avaliação do presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, é reflexo da retomada da confiança por parte do consumidor, da recuperação econômica e do aumento da oferta de crédito, após seis anos negativos. Desde 2011, quando foram produzidas 2,1 milhões de motos, o setor acumulava perdas.

O setor, concentrado no Polo Industrial de Manaus (PIM), projeta um crescimento de 4,2% na produção para 2019, com relação ao ano passado. A estimativa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), é que sejam produzidas 43,1 mil unidades este ano.

“O volume final ficou bem próximo da nossa projeção revisada demonstrando o otimismo da entidade em relação ao setor e a recuperação do cenário econômico no País”, diz Fermanian.

A expectativa é de queda de 28%, nas vendas externas, em 2019 (Foto: Divulgação/Abraciclo)

De acordo com os dados da Abraciclo, somente em dezembro foram produzidas 67,8 mil motocicletas, volume 1,7% inferior ao registrado no mesmo período em 2017 (69 mil unidades). Em comparação a novembro de 2018, a queda foi de 24,7% (90,1 mil unidades).

Para 2019, o setor projeta a produção de 1.080.000 unidades, o que significará uma alta de 4,2% sobre as 1.036.846 unidades fabricadas em 2018. “Estamos confiantes no aumento dos negócios, mas é necessário aguardar os impactos das medidas que serão implementadas pelo novo governo”, diz. O aumento projetado nas vendas é de 7,7% no atacado e 6,2% no varejo. Por outro lado, nas exportações, a expectativa é de queda de 28%, em 2019.

Em 2018, o desempenho das exportações apresentou queda de 16,8%, totalizando 68 mil motocicletas, ante 81,7 mil unidades, em 2017. O recuo está diretamente ligado à redução da demanda da Argentina, que é o principal destino das motocicletas fabricadas no PIM.

Somente em dezembro foram exportadas 3 mil motocicletas, representando uma queda de 15,7% em comparação a novembro (3,5 mil unidades) e recuo de 57,6% em relação ao mesmo mês de 2017 (7,1 mil unidades).

De acordo com dados do então Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), em 2018, a Argentina representou 69,6% de todo o volume de motocicletas exportadas pelo Brasil, seguida dos Estados Unidos (9,1%) e da Colômbia (7,6%). Considerando somente o mês de dezembro, a Argentina teve 45,9% de participação, Austrália 16,6% e Estados Unidos 13,5%.