Empresas do Minha Casa Minha Vida devem enfrentar maior concorrência

Com a fonte dos recursos do programa federal estagnada, é esperada maior competição pelos financiamentos, entre as construtoras daqui em diante, além da diversificação dos empreendimentos

Agência Estado / redacao@diarioam.com.br

Brasília – As construtoras listadas na bolsa que atuam no Minha Casa Minha Vida (MCMV) – MRV, Direcional e Tenda – conseguiram conciliar expansão operacional com expansão do lucro no último ano, mas agora tendem a enfrentar um cenário de maior concorrência se quiserem garantir a expansão contínua dos negócios.

Empresas devem lançar emprendimentos fora do programa Minha Casa Minha Vida (Foto: Luiz Tito/AE)

O número de unidades a serem contratadas pelo MCMV no País tende a permanecer estável, dado que o orçamento reservado pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abastecer o programa habitacional não cresceu de 2018 para 2019. Com a fonte dos recursos estagnada, é esperada maior competição pelos financiamentos daqui em diante.

Diante desse cenário, os principais executivos das construtoras têm apontado para a diversificação do portfólio de empreendimentos e para a necessidade de ‘roubar’ participação de mercado como soluções para contrapor os gargalos.

A MRV decidiu incluir em seu cronograma de lançamentos projetos do setor de médio padrão, fora do MCMV, e que terão financiamento originado em linhas bancárias com recursos das cadernetas de poupança em vez do FGTS. O primeiro empreendimento foi lançado em Salvador, no fim do ano, e já há outros programados para São Paulo, Campinas, Curitiba e Porto Alegre nos próximos meses.

Em busca de crescimento, a Direcional também estuda adotar estratégia semelhante à da MRV. “Temos monitorado a situação do mercado para voltar a lançar projetos fora do Minha Casa Minha Vida”, afirmou o presidente, Ricardo Ribeiro. Desde 2016, a Direcional não lança esse tipo de projetos, pois decidiu direcionar o foco para as moradias populares, setor que mais cresceu nos anos de crise.

Na avaliação de Ribeiro, a possibilidade de diversificar o portfólio pode servir como uma alavanca de crescimento diante das limitações de recursos do FGTS. Sem isso, a forma de crescer será ‘roubando’ participação de mercado, diz.

Por sua vez, a Tenda acredita que ainda é possível extrair mais resultados do seu modelo atual de negócios, focado no MCMV, sem migrar para projetos de outros segmentos. “Temos conseguido roubar market share nas regiões em que atuamos, pois temos um modelo de produção eficiente e preços competitivos”, salientou o diretor financeiro e de relações com investidores, Renan Sanches.

Para este ano, a estratégia da Tenda será a de consolidar sua atuação nas regiões metropolitanas de Curitiba e Goiânia, onde montou sedes regionais mais recentemente. Além disso, a construtora enxerga capacidade operacional para chegar a mais uma praça a cada ano, ampliando sua diversificação geográfica, segundo Sanches.

A temporada de apresentação de balanços mostrou que MRV, Direcional e Tenda obtiveram, juntas, lucro líquido de R$ 812 milhões em 2018.