Inadimplência tem queda de 3,5% no Amazonas, diz CDLM

O comércio comemora o comportamento do consumidor amazonense que está conseguindo cumprir com o pagamento das contas, em dia

Beatriz Gomens / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Na contramão do País, o Amazonas registra recuo da inadimplência desde janeiro, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM). Enquanto no Brasil, o volume de consumidores cresceu 4%, em junho, no Estado, houve recuo de 3,5%.

Enquanto no Brasil, o volume de consumidores cresceu 4%, em junho, no Estado, houve recuo de 3,5%. (Foto: Sandro Pereira)

Houve alta generalizada em todas as regiões do País, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), divulgada essa semana . A mais acentuada foi na Região Sudeste, cujo crescimento foi de 9,88%, em junho, comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo o levantamento, embora seja a região que tenha apresentado o menor crescimento da inadimplência em junho, são os Estados do Norte que concentram, de forma proporcional, o maior número de brasileiros inadimplentes no País, 5,79 milhões de consumidores, que juntos representam 48% da população adulta residente.

Apesar desse resultado, o presidente da CDLM, Ralph Assayag, destacou que o consumidor do Amazonas está conseguindo honrar os compromissos melhor que nos outros Estados da região. “A inadimplência está caindo no Amazonas, principalmente por conta dos pagamentos do FGTS liberados pelo governo federal, a melhora da economia no Polo Industrial de Manaus, entre outros fatores”, disse.

A inadimplência teve pequenas quedas consecutivas no Estado, segundo Assayag. “Começamos janeiro com 4,1% de inadimplência e fechamos junho em 3,5%, isso quer dizer que tivemos menos desemprego em relação ao resto do Brasil e menos lojas fechando, também. Muitas lojas estão vendendo somente após consulta ao CPF, para quem tem crédito, e por isso a inadimplência está caindo”, afirma.

Metade das dívidas dos consumidores de Manaus são de até R$ 2 mil, enquanto 25% de até R$ 5 mil e os outros 25% de valores acima disso. Segundo a CDLM, enquanto as mulheres são 55% do público inadimplente, elas pagam em até 90 dias. Já os homens quitam as contas em atraso, após 120 dias.

Ao todo, o SPC Brasil e a CNDL estimam que o País concluiu o primeiro semestre deste ano com aproximadamente 63,6 milhões de brasileiros com o CPF restrito em virtude de atrasos no pagamento de contas. Esse dado representa 42% da população adulta do País.

Esta semana, o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, afirmou que o ano de 2018 vem frustrando as expectativas de que haveria uma consolidação no processo de retomada econômica, inclusive com reflexos positivos na vida dos consumidores. “Embora os juros estejam menores e a inflação dentro da meta, o desemprego ainda é elevado e acaba reduzindo a capacidade de pagamento das famílias”, analisou.

Movimento do varejo teve alta de 3,1%, no primeiro semestre

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, avançou 3,1% no acumulado do 1º semestre de 2018, de acordo com os dados apurados pela Boa Vista SCPC. Na avaliação mensal dessazonalizada, a atividade cresceu 1,0% ante maio. No acumulado em 12 meses, o indicador avançou 4,5% (julho de 2017 até junho de 2018 frente ao mesmo período do ano anterior). Já na avaliação contra junho do ano anterior, houve alta de 3,1%.

Os resultados de junho apontam o varejo voltando a crescer, após as turbulências associadas à greve dos caminhoneiros, no final de maio. Também ocorreu evolução no semestre, mas em ritmo menor do que o esperado, devido ao baixo desempenho da economia e mercado de trabalho fragilizado. Espera-se que com a continuidade da expansão do crédito, melhora no emprego e na confiança dos consumidores, ocorra a consolidação de um ritmo de recuperação maior, no segundo semestre.

Na análise mensal, dentre os principais setores, o setor de ‘Móveis e Eletrodomésticos’ apresentou aumento de 2,0% em junho, descontados os efeitos sazonais. Nos dados sem ajuste sazonal, a variação acumulada em 12 meses foi de 6,2%. A categoria de ‘Tecidos, Vestuários e Calçados’ cresceu 1,3% no mês, expurgados os efeitos sazonais. Na comparação da série sazonal, nos dados acumulados em 12 meses houve avanço de 2,2%.

A atividade do setor de ‘Supermercados, Alimentos e Bebidas’ ficou estável no mês na série dessazonalizada. Na série sem ajuste, a variação acumulada subiu 3,9%.