Negociações salariais caem após reforma trabalhista; AM tem média de reajuste de 0,8%

Seis de cada 10 unidades de negociação, no Amazonas, conseguiram aumentos nos vencimentos. No entanto, a reforma trabalhista diminuiu a quantidade de unidades, no ano passado

Beatriz Gomes / redacao@diarioam.com.br

Manaus- Seis em cada dez negociações salariais realizadas no Amazonas conquistaram ganho real, acima da inflação, ou pelo menos a reposição, em 2017, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor registrou 2% de alta. De acordo com o balanço das negociações dos reajustes salariais do ano passado, realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a variação média dos reajustes no Estado foi de 0,8%, acima de 2016, quando houve perda de 1,13% na média. No País, a variação média foi de 0,35% de ganho.

A indústria respondeu por dez acordos trabalhistas, em 2017. (Foto: Sandro Pereira)

No ano passado, foram registradas 15 unidades de negociação no Estado, seis a menos que em 2016. Um reflexo da reforma trabalhista, avalia o supervisor técnico do Dieese no Amazonas, Inaldo Seixas. “Houve uma diminuição drástica nas unidades de negociação, no Amazonas, assim como no País, porque muitos sindicatos patronais ficaram esperando negociar após a reforma. Vários setores não fecharam porque o patronal ficou bloqueando”, disse.

A situação dos reajustes no Estado foi melhor que em 2016, quando ao contrário do ano passado, teve 66,3% das negociações abaixo da inflação e uma média de 1,13% de perda. “As categorias foram conseguindo fechar reajustes bons com o aquecimento da economia e a mudança de expectativa”, destacou Seixas.

Do total de acordos no Amazonas, a indústria respondeu por dez, os serviços por quatro e o comércio, um. Metade dos acordos da indústria alcançaram índices acima da inflação, dois tiveram ganhos entre 2% e 3% e três de até 1%. Duas unidades de negociação tiveram apenas a reposição do INPC, enquanto três apresentaram perda de 1%.

Os trabalhadores do comércio conquistaram ganho real de até 1% acima da inflação. Enquanto das quatro negociações do setor de Serviços, metade teve somente a reposição e os outros dois perdas de até 2%. Apesar de terem conquistado bons reajustes, no ano passado, a reforma trabalhista pode trazer retrocesso de benefícios já garantidos.

“A pressão da ultratividade da norma, que era a garantia que os trabalhadores tinham de que se chegasse na data-base e não conseguisse fechar o reajuste, as cláusulas frutos de convenções anteriores seguiam valendo, mas atualmente, se você chega no último dia da data base, a negociação perde a validade e começa tudo de novo. Isso dá maior poder de barganha e retira conquistas como cesta básica, horas extras, cláusulas que não constam na CLT (Código de Leis Trabalhistas)”, aponta Inaldo Seixas do Dieese.