Para rede Accor, hotelaria de lazer na Amazônia depende de infraestrutura

Líder do setor no País destaca potencial para expansão das atividades na região e em outras áreas no segmento de resort, mas o capital privado depende da segurança com o aporte governamental

São Paulo* – A ampliação dos investimentos em hotelaria para explorar o potencial turístico da Amazônia depende de infraestrutura básica e do apoio governamental. A avaliação é do CEO da Rede Accor América do Sul, Patrick Mendes. Na liderança do mercado, a companhia prevê crescimento de 10% a 15% no Norte e Nordeste, em faturamento, este ano e planeja abrir 20 hotéis no País, além dos 308 em operação com 50 mil quartos. O anúncio foi feito, na última terça-feira (12), em São Paulo, quando a empresa destacou a forte recuperação, em 2018, ao crescer 12,3% do RevPar (receita por quarto).

Com forte participação no segmento de hospedagem de negócios no Amazonas, a instalação de resorts na região e em áreas de turismo de lazer do País é sempre questionada, diz o executivo. De acordo com Patrick Mendes, a implantação desses equipamentos de grande porte para atrair turistas interessados em conhecer a Amazônia necessita da contrapartida do setor público e não somente do investidor privado, como a melhoria de aeroportos, de transportes, segurança e da malha aérea. “A abertura de resorts não depende somente de nós”, explica.

A estimativa do grupo é crescer a receita entre 7% a 8% este ano, ainda longe do resultado alcançado no período pré-crise. O otimismo se baseia, principalmente no potencial do mercado brasileiro, que cresceu fortemente no último trimestre do ano passado e em igual escala nos primeiros meses deste ano. A rede opera com ocupação de 56% a 57%, enquanto que a rentabilidade só é alcançada a partir de 65%, diz o executivo.

Os investimentos da rede se voltam, agora, para os segmentos médio e de luxo, equivalente a metade dos 45 novos contratos na América do Sul, dos quais 23, no Brasil. No último ano, o grupo abriu 52 hotéis (7.840 quartos entre conversões e novas aberturas) no continente, abaixo apenas da Ásia.

Para o CEO Patrick Mendes, a meta é fechar 2019 com alta de 7% a 8% no País e ampliar os empreendimentos (Foto: Divulgação)

“Temos um potencial de turismo de negócios e lazer inexplorado no Brasil, algo que nos permite acreditar nas possibilidades para o futuro. E, por este motivo, a Accor está forte e presente aqui e devemos continuar dessa maneira. Nossa expectativa é fechar 2019 com alta de 7% a 8% no País e abrir 30 hotéis este ano na América do Sul, sendo quase dois terços aqui”, anunciou.

Segundo Mendes, o crescimento no continente se deve a recuperação da economia brasileira, além da adoção de políticas para atrair o público fora do hotel, com aposta na atração da gastronomia e dos espaços comuns para eventos de negócios e sociais.

De acordo com o executivo, a demanda da América do Sul cresceu 5,7%, no ano passado, enquanto que oferta de quartos apenas 2%. “Nossa meta é ampliar esse porcentual nos próximos anos, com 500 hotéis e outros 150 em pipeline até 2022”. Atualmente, a Accor possui 375 hotéis na América do Sul.

Expandir a nova bandeira Tribe, de turismo ‘coworking’, é estratégia para 2019

Para acompanhar as transformações na hotelaria com o envolvimernto do hóspede em uma experiência voltada, também, na interação com o consumidor externo, a rede vai expandir a nova bandeira Tribe. O conceito se abre para experiências compartilhadas, em espaços coworking.

De acordo com Patrick Mendes, a Accor pretende investir nesta bandeira voltada, principalmente, para o público jovem, que aprecia arte, design e valoriza a tecnologia. São empreendimentos com quartos menores e amplas áreas de lazer e de integração, que demandam baixo aporte e alta rentabilidade para os investidores.

Rede Tribe é voltada para o público mais jovem e ligado em tecnologia (Foto: Divulgação)

Uma unidade Tribe deverá ser implantada ainda este ano no Rio de Janeiro, após um hotel do tipo em Londres, próximo ao King’s Park, outro em Perth, na Austrália, assim como dez até 2022 na Europa e na Ásia.

A rede hoteleira também apresentou o seu novo programa de fidelidade, o Accor Live Limitess (ALL), que vai integrar os participantes do atual programa. Uma das novidades é o acúmulo de pontos até com a frequência dos restaurantes dos hotéis, mesmo para não hóspedes.
O lançamento mundial conta com a parceria do Paris Saint-Germain (PSG), em que brilham as estrelas de Neymar, do uruguaio Cavani e do argentino Di Maria. O logo ALL vai substituir o atual Emirates na camisa dos jogadores, que inclusive já gravaram o comercial apresentado no evento da Accor, em São Paulo.

*O editor viajou a convite do Grupo Accor.