Cielo diz que foi mal interpretado após declaração sobre doação de piscina a Manaus

Em entrevista à 'Veja', nadador teria comparado vinda da piscina com uso de uma "Ferrari num campeonato de rali". Porém, nesta segunda, ele afirmou que o repórter da revista se equivocou

Sofia Lorrane / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O medalhista de ouro na Olimpíada de Pequim (2008), César Cielo, disse ter sido mal interpretado pela revista ‘Veja’ quando comentou sobre a doação da estrutura da piscina olímpica dos Jogos do Rio-2016 para Manaus, e pediu desculpas ao presidente da Federação Amazonense de Desportos Aquáticos (Fada), Vitor Façanha, o ‘Botinho’. O nadador afirmou ter se assustado com a repercussão da matéria publicada, nesta segunda, pela REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC).

(Foto: Alessandro Serrato/Cesarceilo.com.br)

Em uma entrevista publicada, no último sábado, no site da revista ‘Veja’, César Cielo comparou a vinda da piscina com uso de uma “Ferrari num campeonato de rali”. “Será que eles precisam realmente de um equipamento tão sofisticado? Com todo respeito, é o mesmo que usar uma Ferrari num campeonato de rali”, afirmou Cielo.

O comentário gerou uma grande repercussão no Amazonas. Porém, nesta segunda, segundo o presidente da Fada, Vitor Façanha, ‘Botinho’, o nadador ligou para se desculpar e explicou que houve um engano pela parte do jornalista que realizou a entrevista. “Eu havia estranhado essa declaração dele (César Cielo). Ele me contou que não tinha sido aquilo que ele quis dizer, pois jamais faria algo assim. Ele tem um grande carinho pelo Amazonas. Ele estava preocupado e ficou muito mal (com a repercussão). Essa piscina vai ser de grande importância, pois irá atender cerca de 1.200 alunos. Então Manaus carece de uma estrutura dessas”, relatou Façanha.

O medalhista de ouro disse ao presidente da Fada que a ‘Veja’ se equivocou e explicou o mal-entendido. “Essa matéria da ‘Veja’ colocou informações erradas e de forma polêmica. Eu não gostaria que você e o pessoal da natação aí do Amazonas pensassem coisa errada. Estive aí para inaugurar o Centro Olímpico de Manaus e sei o quanto é importante o incentivo ao esporte. Eu nem teria coragem de fazer nenhuma crítica dessas publicamente”, comentou Cielo, que ainda completou afirmando não concordar com a maneira que as decisões são tomadas no País.

“Critiquei a forma de como o governo cuidou e cuida do legado olímpico, como um todo. Estruturas abandonadas e mal cuidadas. Critiquei também a forma de como as coisas são conduzidas no nosso País, quase sempre motivadas por interesses pessoais e políticos”, disse.

Em carta enviada à Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), nesta segunda, Cielo afirma que “será um prazer poder participar da inauguração da piscina olímpica e do parque olímpico”.

Piscina Olímpica

A doação foi feita, em novembro de 2016, para o Parque Aquático da Vila Olímpica de Manaus. A Sejel informou que a obra deve ser finalizada na segunda quinzena de fevereiro de 2018 e a piscina deve chegar a Manaus no final do mês de fevereiro.

Após a conclusão, iniciará a montagem da piscina, que será feita pela empresa Myrtha Pools. A previsão é que o processo todo dure, no máximo, três meses.

O transporte fluvial da piscina da Rio 2016 para Manaus vai custar R$ 274 mil para o Governo do Amazonas. Conforme a Sejel, este custo pelos serviços de embarque e desembarque do material da piscina, que mede 50×25 metros com dois metros de profundidade, é referente ao seguro da estrutura, isolamento, guincho e demais aparatos de segurança.