Em jogo com cenas de violência, Naça conquista 42º título do Amazonense

Nacional goleou por 5 a 1 o Princesa do Solimões, no Estádio Roberto Simonsen (Sesi). Antes do Leão da Vila levantar a taça de campeão, episódios de brigas foram registrados na partida.

Manaus– Numa final de Campeonato Amazonense manchada por confusão, brigas e violência dentro e fora de campo, o Nacional conquistou o 42º título no Estadual ao protagonizar uma reviravolta surpreendente. Depois de perder por 2 a 0 no jogo de ida da final, o Leão da Vila precisava derrotar o Princesa do Solimões por três gols de diferença e ainda fez mais ao golear por 5 a 1 o Tubarão, no Estádio Roberto Simonsen (Sesi), em Manaus, neste sábado.

  Mas antes do Naça levantar a merecida taça de campeão do Amazonense, um episódio lamentável de violência ocorreu próximo do final do segundo tempo, quando o time de Manaus já vencia por 4 a 1 e garantia o título. O meia Fininho, do Princesa, e o atacante Leonardo, do Nacional, brigaram dentro de campo e o jogador do Leão acabou chutado diversas vezes pelo atacante Nando e o volante Deurick. Levado para o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, ele ficou sob observação e recebeu alta, às 18h30, segundo a assessoria de imprensa do hospital.

  O vice-presidente do Naça, Manoel do Carmo Chaves Neto, o Maneca, lamentou a confusão e criticou veemente o agressor de Leonardo. “Isso é um crime que ninguém pode perdoar de jeito nenhum. Vamos dar todo o apoio para protestar contra essa atitude louca. Atitude de quem está fora de si. É um jogador (Nando) que nunca está no seu (estado) normal. Não sei porque ainda está no futebol amazonense”, comentou Maneca, que teme por uma impunidade no Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM). “Esse Nando tem que abandonar o futebol e participar do telecatch (evento de luta-livre). De uma luta corporal com os outros para ver se ele dar evasão aos seus instintos bestiais”, completou o dirigente.

 Com o Estadual assegurado, o Nacional carimbou a passagem na Série D do Brasileiro de 2015. Na Quarta Divisão deste ano, que começa em julho após a Copa do Mundo, o Princesa será o único representante do Amazonas. Campeão e vice disputarão a Copa do Brasil do próximo ano.

Reação e confusão

  Num início de primeiro tempo acelerado, o Nacional pressionava mais e o Princesa, mesmo com a vantagem técnica adquirida, não ficou recuado buscando o gol a todo instante. Melhor em campo, aos cinco minutos, o Leão da Vila abriu o placar com o volante Bruno Potiguar, em cobrança de falta, pelo canto esquerdo. A bola atravessou por cima de todos os jogadores próximos da pequena área indo direto para o fundo da rede adversária. O gol foi bastante contestado por jogadores e membros da comissão técnica do clube de Manacapuru.

  O Tubarão parecia que reagiria logo. Quatro minutos depois do gol do Naça, o meia Fininho cobrou escanteio, pela direita, Lídio pegou a sobra e cabeceou sem chances de defesa do goleiro Wagner, mas o árbitro Antônio Carlos Pequeno Frutuoso assinalou impedimento e anulou o gol gerando mais revolta do time do interior com a arbitragem.

  Mesmo ainda em vantagem para a conquista do inédito bicampeonato, o Princesa seguiu para o contra-ataque. Aos 17 minutos, Fininho cobrou falta, pela esquerda, e a bola não atravessou a linha do gol por insistência da zaga do Leão. Em seguida, o Nacional perdeu uma oportunidade de ampliar o resultado, aos 19 minutos, quando Leonardo não conseguiu finalizar de frente da meta do goleiro Milton após lançamento, pela direita, do atacante Léo Paraíba.

  Ainda avançando pelo campo de defesa do Naça, o zagueiro Lídio empatou, aos 30 minutos, depois de passe de Fininho.  Com o 1 a 1, o Leão da Vila voltou à estaca zero e precisava fazer mais três gols de diferença. Faltas e desespero atingiram o time de Manaus.

  E quando o primeiro tempo caminhava para um empate, o zagueiro Rodrigão, cabeceou, para Léo Paraíba deixar o Nacional na frente no placar novamente, aos 41 minutos. Com a vitória parcial do Naça, a confusão se armou fora de campo no intervalo, com o diretor de futebol do Princesa, Rafael Maddy, e o lutador de MMA e torcerdor da equipe do Alto Solimões, Ronnys Torres, contra um membro da comissão técnica do Leão da Vila e o treinador Sinomar Naves, que foram agredidos. A polícia militar precisou intervir para conter a briga.

  No segundo tempo, o Nacional ainda precisava correr atrás do prejuízo. Depois dos primeiros minutos mornos e nenhum lance de perigo, aos dez minutos, Léo Paraíba recebeu a bola cruzada pelo xará Leonardo e mais uma vez marcou um gol, o segundo dele na final levando o placar a 3 a 1. Faltaria mais um gol para o Leão garantir o título do Estadual.

  Para evitar uma reviravolta eminente do Naça, o técnico Marquinhos Pitter arriscou colocar o Princesa todo para frente ao entrar com os atacantes Edinho Canutama e Marinélson nos lugares, respectivamente, de Branco e Clayton He-Man, este último saindo de campo contundido com uma entorse no pé esquerdo. E aos 22 minutos, o meia Fininho driblou a zaga adversária e na hora de chutar a bola passou por cima do travessão.

   O Tubarão sentiu o risco e começou a pressionar. Mas o Naça manteve o contra-ataque até a virada técnica espetacular na vantagem do rival. Aos 38 minutos, o atacante João Douglas recebeu cobrança de escanteio e, de cabeça, fez o gol que já assegurava a taça de campeão estadual ao Leão da Vila.  Mas aos 41 minutos, Fininho e Leonardo se estranharam e deu início a uma confusão generalizada. O atacante do Naça, recuperado de um afundamento no rosto recentemente, foi derrubado no chão por Fininho e sofreu covardemente duros chutes na cabeça do atacante Nando e de Deurick.

Inconsciente, Leonardo foi levado de ambulância até o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, no São José, próximo ao estádio do Sesi. A decisão do Amazonense ficou paralisada por 20 minutos. Controlada a briga pelo policiamento, o árbitro expulsou Nando e Fininho, pelo lado do Princesa, e mais o próprio Leonardo e o zagueiro Rodrigão, do Nacional, dando mais dez minutos de acréscimos. E, justamente, no último minuto João Douglas mais uma vez abrilhantou a 42ª conquista do Leão da Vila fechando a goleada, por 5 a 1. Outro atacante do Tubarão, Marinélson, reclamou bastante e também levou cartão vermelho.

Coincidentemente, os dois gols decisivos marcados por João Douglas na final foram os primeiros do atacante no Estadual. “É um momento único da minha carreira. Foi meu primeiro ano como profissional”, declarou João Douglas, que sem propostas de clubes vai voltar ao Rio de Janeiro para rever a família.

Para o técnico do Nacional, Sinomar Naves, o trabalho motivacional durante a semana foi essencial para reversão em campo. “Mostramos que tinha possibilidade e teve. Só errei o placar porque disse que seria de 4 a 1. Foi de 5, então, estou aliviado”, comentou o treinador. “Estava controlado todo o tempo. O aspecto emocional e o equilíbrio que tiveram no jogo foi fundamental. Disse no intervalo (aos jogadores), que fizeram dois (gols) no primeiro tempo e poderiam fazer mais dois”, disse Naves.

Insatisfeito pela perda do bicampeonato do Princesa, o volante Deurick ainda agrediu o diretor de interior da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Lázaro D’Ângelo, que foi o delegado da conturbada partida. Fora do estádio, quando a maioria dos torcedores tinha ido embora, o diretor de futebol do Tubarão, Rafael Maddy, confrontou policiais militares que o impediram de ver o jogador Guilherme, que estava cercado por uma barreira policial suspeito de confusão com a torcida do Nacional.          

Ficha Técnica

Princesa: Milton; Lídio, Thiago Brandão e Clayton He-Man (Marinélson); Deurick, Rondinelle, Amaral, Michel Parintins (Baé) e Fininho; Branco (Edinho Canutama) e Nando. Técnico: Marquinhos Pitter

Nacional: Wagner; Daylson (Nando), Índio, Rodrigão e Jeferson Recife; Negretti, Bruno Potiguar e Éder; Leonardo, Felipe Capixaba (Luan) e Léo Paraíba (João Douglas). Técnico: Sinomar Naves

Público: 3.123 torcedores

Renda: R$ 35.270,00

Árbitro: Antônio Carlos Pequeno Frutuoso