Entre estudo e esporte, atletas do Amazonas preferem o primeiro

Sem política esportiva de governo e apoio para seguir carreira, o ciclo dos atletas termina antes de chegar às categorias adultas.

Manaus – O estudo é a condição básica para crianças e adolescentes praticarem esporte. Em Manaus, é a salvação de jovens atletas. Sem política esportiva de governo e apoio para seguir carreira, o ciclo dos atletas termina antes de chegar às categorias adultas. É o caso de Joelinton Lima Freire, 29, que começou a praticar atletismo aos 14 anos. “No começo, quando eu treinava em alto nível nas corridas de 400 m e 110 m com barreiras, recebia bolsa através das competições que disputava. Mais tarde, tive a oportunidade de fazer estágio em educação física, o que me tomou tempo”, revela o ex-atleta. Depois que entrou na faculdade, foi obrigado a largar o esporte. “Uma lesão muscular que tive em 2002 foi a prova de que eu não tinha mais um preparo ideal de atleta. Foi quando resolvi parar”, lembra.

A presidente da Federação Amazonense de Atletismo (Feama), Marleide Borges, reconhece essa realidade. “Muitos deles param quando chegam à categoria adulta, em que estão na idade de fazer faculdade e trabalhar, pois não há como se sustentar no esporte. O Joelinton é o maior exemplo disso, que competia em bom nível, mas largou o atletismo para fazer faculdade”, lembrou.

Até mesmo um dos esportes que mais revela talentos do Amazonas, como Ligia Silva e Amanda Marques, o tênis de mesa, sofre com a falta de apoio que, segundo o diretor técnico da Federação de Tênis de Mesa do Amazonas (Ftma), Israel Barreto, surge dentro de casa. “Temos uma boa estrutura, o que já é um grande passo para revelar talentos. O grande desafio fica por parte da falta do apoio familiar dos praticantes mais jovens, que as vezes resulta na saída deles”, revelou o dirigente. “Dependendo do incentivo dos pais, é possível conciliar esporte e estudo, inclusive com bolsa. Se o atleta estiver sozinho, não tem pra onde correr”, concluiu.

No judô, a dificuldade para fazer com que os atletas mantenham a exclusividade na carreira esportiva também é obstáculo para a modalidade da região despontar no país. “Mantemos atletas até a categoria juvenil. A partir daí, ou ele se arrisca no judô, ou segue a vida normal, que é o que acontece, pois não há investimentos no meio”, esclarece a presidente da Federação Amazonense de Judô (Fejama), Carmita Dourado, que aponta o destino dos judocas que se destacam no Estado. “Ao participar de competições nacionais, eles acabam chamando a atenção de grandes agremiações. Os atletas que querem seguir carreira acabam migrando”, lamentou.

Apesar de todas essas condições do esporte no Amazonas, onde não há atletas de categorias acima de juvenil, os candidatos ao governo do Estado não mostraram, até então, projetos concretos para dar suporte aos que sonham em seguir os passos de esportistas como Sandro Viana, Ligia Silva, Amanda Marques, entre outros amazonenses, que precisaram sair do Estado para dar continuidade a carreira e, coincidentemente, se tornarem referências nacionais.