Anaeróbica e aeróbica para ir bem no futsal e no futebol

Preparador físico do Iranduba explica a preparação das jogadoras para modalidades diferentes

Thiago Fernando / vencer@diarioam.com.br

Manaus – É normal ver atletas saindo das categorias de base do futsal para encarar o futebol de campo. Craques como Ronaldinho Gaúcho, Romário e Neymar fizeram esse trajeto com sucesso. Outros como o craque Falcão, não tiveram o mesmo desempenho. Porém, o Iranduba está apostando no caminho oposto. Após parceria com a faculdade Mauricio de Nassau, o Hulk da Amazônia passou a disputar torneios universitários e o Campeonato Amazonense da modalidade. Rapidamente, os títulos vieram. Assim, futsal e futebol de campo passaram a caminhar lado a lado.

Apesar de semelhantes em alguns aspectos, futsal e futebol de campo são esportes diferentes, principalmente na dinâmica de jogo. O preparador físico do Iranduba, José Said Filho, disse que as atletas do Hulk não fizeram trabalho exclusivo para o futsal. Porém, a atividade física diferenciada tem sido suficiente para garantir os resultados positivos. “Não temos feito trabalho específico de futsal. A base é a do campo e tem sido suficiente para os 20 minutos. No campo, geralmente temos um dia de descanso. O nosso problema no Campeonato Brasileiro foram as viagens. Elas realmente ‘matam’. Quando você joga em casa, tem um tempo maior para recuperar. No dia seguinte, damos um dia todo de folga. No outro, fazemos um trabalho de musculação para recuperar. Isso já serve como base para que a atleta volte a treinar normalmente”, disse.

Jogadoras das categorias de base também estão nas quadras (Foto: Reprodução/Facebook)

“O futebol usa muito a parte aeróbica (todo tipo de atividade física que, através de movimentos rápidos e ritmados, provoca a oxigenação das células musculares e elevado gasto calórico. Sempre com longa duração) misturada com a anaeróbica (processo metabólico onde o corpo produz energia sem usar o oxigênio. Processo que intensifica a força, explosão muscular e resistência). Hoje, está praticamente empatado. Até 20 anos atrás, se trabalhava muito a parte aeróbica do atleta. Com os estudos e avanços dos treinos, os trabalhos de força e velocidade estão superando a parte aeróbica. Com esse trabalho, já damos um condicionamento para o indivíduo. Aquelas corridas de 12 quilômetros que se fazia, antigamente, não tem mais no futebol. Trocamos por tiros de 20 ou 30 metros. Esse tipo de trabalho ajuda o indivídual no ganho de potência e força”, citou Said.

Ritmo diferente

Outro é a dinâmica diferente entre as modalidades. Segundo o preparador, o desgaste físico durante uma partida de futsal é mais intenso do que numa partida de futebol de campo. “No futsal, o atleta não passa mais de três minutos em quadra. A intensidade é muito alta, os piques são curtos e o trato com a bola é o tempo todo. A bola roda pelos quatro atletas. Não tem como ter aquele descanso que acontece no campo, voltar recuperando”, comentou o profissional.

“Estamos observando com as meninas que isso é pesado. Temos que manter o rodízio para manter o alto nível”, disse Said, que relatou o processo de recuperação após as partidas e a importância em utilizar as jogadoras da equipe sub-20 no futsal.

“Quando temos uma estrutura melhor, podemos fazer a tradicional ‘banheira de gelo’, após a partida, para que haja uma recuperação. O gelo age como um analgésico para a circulação melhorar. Se tiver uma estrutura para fazer todo o processo, você tem a atleta totalmente recuperada em 24 horas. É isso que acontece nos times de ponta. As partidas são importantes para colocar as meninas em ritmo de competição. Jogar e treinar é totalmente diferente. Então, é importante o sub-20 estar em atividade, porque mantém o nível de competitividade”, comentou o preparador.

Algumas jogadoras como Djeni, Mayara, Gisele, Monalisa e Laura disputaram a última partida do Hulk na Taça Brasil de futsal. Porém, Said revelou que a adaptação às quadras não é simples para todas as atletas. “A questão da intensidade é muito importante no futsal. Se a atleta não tiver o ‘gingado’ bom, dificilmente terá um bom rendimento no futsal. Se você teve uma base do futsal, isso facilita. A pessoa pode ir para o campo e voltar, que não vai sentir. Porém, se você não teve, dificilmente se adaptará ao futsal”, concluiu.

Djenifer é titulares do time de campo e também joga futsal (Foto: Michael Dantas/AllSports Divulgação)