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Gestor critica amadorismo e ‘ultrapassado’ Aderbal Lana

Nacional foi o vice-campeão amazonense e garantiu vaga em duas competições nacionais, em 2017. Integrante do clube, no entanto, não poupou críticas à falta de profissionalismo no AM

Thiago Fernando / redacao@diarioam.com.br

José Reis disse que o futebol amazonense tem muito potencial, mas precisa se profissionalizar para evoluir
José Reis disse que o futebol amazonense tem muito potencial, mas precisa se profissionalizar para evoluir

Manaus – Amador. É assim que o gestor de futebol do Nacional, José Reis, classifica o futebol amazonense. Após trabalhar em clubes do Sudeste, Reis chegou ao Nacional com a missão de recolocar o clube da Vila Municipal na Série D do Campeonato Brasileiro. Com o segundo lugar conquistado no Campeonato Amazonense, no último final de semana, o Naça garantiu presença na competição e na Copa do Brasil do ano que vem. Segundo ele, devido à falta de profissionalismo dos envolvidos no futebol local e da antiga direção do Leão, o vice-campeonato foi como um título.

Anunciado como a primeira contratação da ‘Era Peggy’ no Leão, José Reis chegou ao clube em janeiro deste ano. Com R$ 500 mil para trabalhar, no primeiro semestre, o gerente de futebol afirmou que foi surpreendido com a situação do clube.

“Estamos terminando com muitas dificuldades. Estamos pagando todo mundo. Recebi o Nacional destruído. Teve um momento na temporada que tive que dizer para os jogadores que cobravam que só ia conversar sobre isso no final do Amazonense. O ano de 2016 foi um ano destrutivo para o Nacional. Pegamos um Centro de Treinamento (CT) destruído. Não tinha internet. Não existia arquivo”, disse o gestor.

“Tem uma direção interna no Nacional que apenas dificulta. Eles fazem mal ao clube. Se o presidente não conseguir fazer uma costura jurídica, corremos o risco de ver o Nacional inviabilizado, em 2018. Os caras tinham dinheiro e não pagaram os jogadores”, afirmou Reis.

Não foi só a falta de profissionalismo fora de campo que assustou o gestor. Para Reis, os jogadores indicados pelo técnico Aderbal Lana são exemplos do porque o futebol amazonense está sem divisão.

“Com dois dias de trabalho com o Aderbal Lana, falei para o presidente que tinha prazo de validade. Ele é um cara antiquado, com cabeça de anos 1980. Sabia que daria problema. Tanto que ele chegou e pediu para sair. Foi ruim para o futebol amazonense o Lana ser campeão. Esse modelo de futebol é o culpado de eu ter que me reunir com os meus vizinhos e assistir o futebol carioca na televisão e não o daqui. Trabalhei com 23 treinadores, entre eles: Guto Ferreira, Gilson Kleina, Jair Pereira. Passei por clubes como  Criciúma-SC, Portuguesa-SP, Bangu-RJ, Mogi Mirim-SP e América-RJ. O Lana (Aderbal) está totalmente ultrapassado”.

No entanto, em dezembro do ano passado, o dircurso do gestor foi outro. “Na pesquisa, entendemos que ele (Aderbal Lana) é o ideal por alguns motivos: primeiro por sua trajetória vencedora e tem que ser considerada; identidade com o clube; conhecimento do Campeonato Amazonense, pois dependemos dele para a conquista do calendário para a sequência do trabalho; e a Copa Verde, por ele conhecer o Norte do País. Entendemos, então, com todos esses predicados que, ele é o nome ideal”, comentou ao site do clube.

“Os clubes pegam os ex-jogadores ‘ferrados’ e colocam como treinadores (na base). O que eles conhecem na parte de fisiologia? As pessoas que trabalham nos clubes daqui precisam se conscientizar, buscar cursos. Não existem profissionais aqui. Preparadores físicos, treinador de goleiros. O único bom é o preparador do Manaus FC. O futebol do Amazonas está muito longe de ser profissional”.

 

Passado atrapalhou

Problemas com a imprensa, Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-AM) e com a FAF, esses foram alguns pontos que José Reis disse ter sofrido. “A nossa maior dificuldade é que fomos perseguidos pela maior parte da imprensa. Isso por causa da relação que acontecia no passado. Percebia um ódio muito grande quando o Nacional chegava a outros lugares. Percebi que essas pessoas foram muito humilhadas, porque o Nacional tinha o poder do dinheiro e da política”, citou.

“Além disso, fomos perseguidos pela arbitragem. No primeiro jogo da final, o arbitro deu dois cartões amarelos, justamente para os dois atacantes que estavam pendurados. Isso é no mínimo uma perseguição. No campeonato inteiro, fomos perseguidos pela imprensa, arbitragem e pela federação”, esbravejou Reis.

Apesar das dificuldades, José Reis disse que gostou do nível técnico do campeonato estadual. “Penso que é possível montar um time com jogadores que se destacaram no Campeonato Amazonense. O Rio Negro, Penarol, Princesa tinham jogadores bons. Até o Marinho, do Holanda, é um bom nome. Ele mostrou que sabe fazer gol”, disse.

“O futebol do Amazonas tem muito potencial. Tem uma cidade ótima para se morar, com uma baita infraestrutura. Tem praças esportivas boas, mas precisa melhorar o nível do futebol local. Posso falar isso por experiência”, finalizou.

 

Lana ‘manda abraço’

O técnico Aderbal Lana afirmou que as acusações de José Reis são frutos da frustração de ter perdido o título para o Manaus FC. “Ele vive um momento de frustração, porque ele não esperava que eu pudesse ir para outro clube e tomar o título dele.  Os jogadores que indiquei vinham de campanhas boas. Se deu ou não deu resultado, isso é problema dele e do treinador. Ele é uma pessoa complicada e acha que entende de futebol. O que interessava era ser campeão estadual, mas quem ganhou foi o Frank Bernardo, como gestor (do Manaus FC). Cada um tem sua filosofia de trabalho. Ele é muito inteligente e eu antiquado. Mas ganhei a decisão em cima dele. Manda um abraço para ele”, disse.