Luta olímpica do Amazonas focada na Seleção Brasileira

Grupo de lutadores do Estado disputará os Campeonatos Brasileiros, pelas categorias Adulto e Cadete, em fevereiro e março, respectivamente, para disputar vagas na equipe nacional da modalidade

Natasha Pinto / vencer@diarioam.com.br

Manaus – Depois de um 2017 recheado de conquistas, mostrando que o Amazonas é uma potência na luta olímpica, os lutadores do Estado querem manter o alto nível nacionalmente e miram competições internacionais representando a Seleção Brasileira. Os primeiros desafios para entrar na Seleção serão os Brasileiros Adulto (a partir dos 19 anos), em fevereiro, e o Cadete (15 a 17 anos), em março.

Representantes da luta olímpica do Estado estão confiantes em repetir desempenhos vitoriosos nos Brasileiros (Foto: Raquel Miranda)

Os cadetes Bryan Lucas, Diana Lira, e Ketellen Fernandes, todos com 16 anos de idade, estão treinando intensamente para que possam entrar mais uma vez na Seleção Brasileira de Cadetes. A meta é disputar o Pan-Americano na Guatemala e os Jogos Olímpicos da Juventude, que será em Buenos Aires.

Uma das promessas da luta olímpica brasileira, Bryan Lucas, que compete na categoria até 54 quilos, já foi medalhista e bicampeão nos Jogos Escolares da Juventude, campeão Brasileiro e ouro nos Jogos Sul Americanos Escolares, no ano passado. Ele revelou que seu principal desafio será o Pan-Americano, onde pode encontrar um velho carrasco.

Bryan Lucas, 16, compete na categoria até 54 quilos, do Cadete (Foto: Raquel Miranda)

“Espero um resultado melhor nesse Brasileiro. Tenho 100% de chances de ser campeão. Estou pensando mais no Pan, que é classificatória para as Olimpíadas, na qual preciso chegar pelo menos na final. No ano passado, participei dessa mesma competição, perdi para um mexicano que foi campeão da categoria, onde fiquei na quinta colocação. Eu espero conseguir minha revanche”, afirmou Bryan.

O atleta conta também que quase se tornou atleta de jiu-jítsu, mas depois que conheceu seu atual esporte não quis saber de mais nenhuma outra modalidade. “O jiu-jítsu apareceu por conta de ter primos que já praticavam, mas não era o que eu queria realmente. Então, meu pai que é amigo do meu treinador, me levou até ele para conhecer a luta olímpica. Foi amor à primeira vista”, declarou.

Diana Lira, que pertence à categoria até 56 quilos, conheceu o esporte em 2013. O problema que depois de uma semana de treino, sua mãe a proibiu de praticar o esporte por conta da atleta ter leucemia. Só que o amor ao esporte era maior e Diana começou a treinar escondida.

“Em 2015, voltei a treinar escondida, dizia que para ela que estava fazendo academia com a minha irmã, que me cobria, isso durou dois meses. Mas uma hora tive que falar, os campeonatos estavam chegando e contei. Ela dessa vez procurou minha médica para saber se podia, foi quando a doutora disse que sim e que era bom eu praticar um esporte, então, continuei”, revelou a lutadora.

Com o currículo recheado de títulos, como bicampeã dos Jogos Escolares, campeã brasileira e vice-campeã sul-americana, Diana treina forte para se sair bem. O sonho está no Mundial de Cadete, em Zagreb, na Croácia e também nos Jogos Olímpicos da Juventude.

“Meus treinos estão muito fortes, acredito que consiga o título de campeã brasileira novamente. Este ano esse Brasileiro é bem mais importante, pois classifica para o Pan-Americano e uma viagem para o Mundial. Se consegui ser campeã no Pan, garanto minha vaga para os Jogos Olímpicos da Juventude, que é o campeonato mais esperado por mim e meus parceiros de treino”, completou Diana.

Com apenas cinco anos praticando a luta olímpica, Ketellen Fernandes, da categoria até 43 quilos, a exemplo dos seus colegas de equipe, tem vários títulos nacionais e internacionais. Ela traz na bagagem a conquista de um Brasileiro, uma prata no Sul-Americano e um terceiro lugar nos Jogos Sul-Americanos da Juventude.

“Estou muito confiante para o Brasileiro, estou treinando forte para me sair bem na competição que vai me garantir uma vaga em viagens internacionais. Então, me esforço ao máximo para conseguir esse lugar na Seleção Brasileira”, disse a atleta.

Ketellen conta que no começo a mãe dela também não queria a deixar entrar no esporte por não ver nenhuma garota praticando. “Minha mãe trabalhava no Centro de Convivência da Família na Cidade Nova, logo que vi a luta já quis entrar. Só que a minha mãe não deixava porque não tinha nenhuma menina treinando. Mas um dia pela parte da manhã, ela viu uma menina treinando e me matriculou. No mesmo ano já fui para os Jogos Escolares da Juventude”, disse.

E quem também vai concorrer a vagas na Seleção Brasileira para o Sul Americano Adulto na Bolívia, mas dessa vez na equipe principal, são os atletas da categoria Adulto: Daniel Nascimento, 19, que é do até 55 quilos, David Washington, 20, do até 65 quilos, e Andria Pimentel, 21, que luta no até 57 quilos.

Atletas do Adulto sonham com chances na Olimpíada de Tóquio

David Washington, 20, é o atual vice-campeão do Pan-Americano Adulto e diz que sua principal competição é o Sul-Americano. Mas, o atleta lembra de que precisa vencer o Brasileiro para garantir a vaga. “Meus treinos estão fortes, acredito que posso levar meu sexto título de campeão brasileiro este ano e assim ir para o Sul-Americano. Estou preparado para todas as situações”, garantiu.

Apesar de já ter vários títulos no Brasileiro, a edição deste ano será um grande desafio. David não competirá mais na categoria Júnior (19 anos), mas apenas na Adulto. A mudança de categoria é pensando também nas chances de chegar até os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

Daniel Nascimento tentará sua primeira ida à Seleção Principal (Foto: Raquel Miranda)

“No ano passado, eu competia tanto no Adulto quanto no Júnior. Esse Brasileiro será um grande desafio, pois será um categoria nova (até 65 quilos). Antes eu lutava na até 61 quilos e a mudança foi porque é uma categoria olímpica, que vai valer vaga para o Sul-Americano e, mais para a frente se der tudo certo a Olimpíada”, explicou.

Terceiro lugar no Pan-Americano Júnior, Daniel Nascimento (foto), 19, vai tentar agora sua primeira convocação para a Seleção Principal de Luta Olímpica. Ele já foi da Seleção Júnior. “Meu principal objetivo esse ano é me integrar na Seleção Brasileira, para que futuramente, possa ir a competições internacionais representando o Brasil. Esse ano tem uma competição muito importante, que é os Jogos Sul-Americanos”, revelou.

Já Andria Pimentel, 21, abaixou de categoria indo de 60 quilos para 57 quilos e afirmou que está ansiosa pelo evento. O treinamento está sendo feito para que tudo saia como planejado no começo do ano, disse a atleta. “É uma categoria nova pra mim, mas eu conheço algumas lutadoras que são da categoria e já vi suas lutas. O treinamento está sendo todos os dias e bastante puxado, para que eu possa conseguir minha vaga na Seleção Principal e se Deus quiser, estar nos Jogos Sul-Americanos”, disse.