Muay thai cresce com ajuda do MMA e atrai mais adeptos em Manaus

Arte marcial tailandesa exige muita disciplina, intenso preparo físico e longo período de prática.

Manaus – Praticado em Manaus há 25 anos, segundo a Federação Amazonense de Boxe Tailandês-Muay Thai (FABT), só agora o muay thai atrai mais lutadores. O aumento de adeptos para 500 atletas federados de 13 academias, nos últimos três anos, está associado à popularização das Artes Marciais Mistas (MMA, na sigla em inglês).

“A transmissão na TV aberta do UFC (Ultimate Fighting Championship, maior evento de MMA do mundo) e a criação do TUF Brasil (reality show que seleciona um lutador para fechar contrato com o UFC), fez o muay thai ficar mais em evidência”, disse o presidente da FABT, Rômulo Bonate da Mata.

Bonate defende a mesma teoria sobre a preferência dos lutadores de MMA pela arte marcial tailandesa. “O muay thai é considerado arte marcial número 1 da lutaem pé. Edigo mais: não devemos nada aos eventos de MMA, porque há mais pancadaria, técnica e trocação que o UFC, por exemplo, onde há mais regras e muitos competidores levam a luta para o chão”, lembrou.

Desistências

Conforme Moisés Farias, reconhecido como primeiro mestre do boxe tailandês no Amazonas, os melhores atletas do card do UFC mantêm a hegemonia por serem fortes no muay thai. “O Anderson Silva (campeão do UFC nos pesos médios) é especialista no muay thai e por isso consegue vencer por tanto tempo. Mas não basta só essa arte marcial, é preciso completar com o jiu-jísu”, afirmou Farias, que antes do muay thai praticava capoeira.

Ao contrário de outras artes marciais como jiu-jítsu e judô, o Estado ainda não se tornou um pólo de lutadores de muay thai, mesmo com as freqüentes competições de MMA na capital e interior.

“O treino é muito rígido e demora muito tempo para subir de graduação. Muitos atletas desistem no meio do caminho. Para ser um bom lutador de muay thai tem que saber usar os braços e pernas, muitos ficam apenas num tipo de luta e precisam corrigir isso. Canela dura, cotovelo e boxe afiado é o caminho do thai”, ensinou Farias.

Moisés, de 43 anos de idade, levou os 25 anos da existência da luta no Estado para se graduar mestre. “Para chegar ao nível de mestre, o lutador precisa ter 20 anos ininterruptos de prática e ter formado, no mínimo, cinco atletas no kruang (equivalente à faixa) preto”, explicou Bonate.

Neste domingo, a FABT fará o Exame de Graduação para 100 lutadores, a partir das 8h30, no Ginásio Renné Monteiro, na zona centro-sul de Manaus. Moisés Farias será graduado com o título inédito.