Amazonenses nos EUA em angústia para se proteger do furacão Irma

Com a chegada do furacão Irma, o maior da história do oceano Atlântico, aos Estados Unidos, familiares e turistas amazonenses, que estão no País, relataram as angústias para fugir da destruição

Gisele Rodrigues/ redacao@diarioam.com.br

Publicitária do Amazonas enfrentou fila para abastecer o carro e fugir do furacão (Foto: Divulgação)

Manaus – O Irma, o maior furacão da história do oceano Atlântico, fez mais de 20 mortos, segundo os noticiários internacionais. Com a chegada do fenômeno climático aos Estados Unidos, familiares e turistas amazonenses que estão no País relataram as angústias para fugir da destruição.

“Um primo meu estava fazendo cruzeiro, sentiu o (furacão) Irma no mar”, contou a nutricionista Fernanda Cauper Marinho. A irmã da nutricionista, Faviane Vasconcelos, os dois sobrinhos e dois outros grupos da família de Fernanda ainda estavam em Orlando neste domingo, confinados em um apartamento, segundo ela, esperando o furacão passar.

“Desde ontem estão trancados dentro do flat, ninguém sai, toda família ficou junta. A maior preocupação é meu sobrinho que tem uma forte restrição alimentar”, contou.

Faviane foi para os Estados Unidos comemorar o aniversário do filho de 7 anos e soube da chegada do furacão pela televisão.

“Minha irmã conseguiu que o voo para Manaus, que ia sair de Miami, fosse remanejado para Orlando, mas cancelaram horas antes”, disse a nutricionista.

Até a tarde deste domingo, a família da dentista mantinha contato via telefone, a cada duas horas. Por orientação do local onde estão hospedados, segundo Marinho, a irmã e o restante dos familiares abasteceram o apartamento com suprimentos e água.

“Eles encheram a banheira, o medo é faltar energia, então, eles encheram todas as banheiras do flat. Ainda está sem previsão de volta (até este domingo), a única alternativa é esperar passar o furacão”, contou a irmã.

Em entrevista a Rede Diário de Comunicação, Faviane contou que a ordem de não sair de casa é do governo local e, desde às 17h de sábado, toda a família permanece confinada, aguardando um outro comunicado oficial.

Segundo a nutricionista Fernanda Marinho, a família que está com sua irmã ficou hospedada em um apartamento construído em alvenaria e não na estrutura de dry-wall, uma espécie de casa pré-moldada considerada pelos amazonenses mais frágil.

Conforme Faviane, nenhuma assistência foi dada pelas empresas aéreas e de turismo responsáveis pelo pacote comprado. No sábado, agências de viagens de todo País informaram que tiveram que fazer um “mutirão” nos últimos dias para tentar dar conta dos telefonemas de turistas brasileiros que viajavam para Miami, nos Estados Unidos ou para as praias do Caribe.

Morando nos Estados Unidos há dois anos, a publicitária amazonense Gracie Araújo-Huff passou a morar na Flórida há uma semana e abandonou a casa para fugir dos efeitos devastadores do Furacão Irma.

“Na verdade, meu esposo queria ficar lá. Ele é fascinado por fenômenos naturais como esse. Mas eu não quis ficar e ele só veio porque viu minha apreensão. Se a gente não tivesse saído a tempo, aí não sei como reagiria. Apesar de ter muita fé em Deus, eu estava apreensiva”, disse Gracie.

Para chegar em Atlanta, mais ao norte dos EUA, a viagem que duraria nove horas de carro, passou para mais de 20 horas, segundo a publicitária. Os noticiários americanos informaram que cerca de seis milhões de pessoas deixaram suas casas na Flórida para fugir do furacão.

“A fuga é muito tensa, filas quilométricas, nosso medo era de não ter combustível para chegar. Graças a Deus, conseguimos colocar combustível no carro, mas muita gente não conseguiu, muita gente na estrada com o carro quebrado, possivelmente sem combustível. É angustiante ver as pessoas assim, quem tinha espaço no carro ofereceu carona”, disse.

A decisão de sair do Estado da Flórida, veio, segundo Gracie, quando o casal enfrentou uma forte chuva.

“Só com os trovões, as janelas da casa já tremiam, então percebi que a casa poderia não ser tão segura”, disse a publicitária.

Irma deixa rastro de destruição no território norte-americano

A Flórida entrou no olho do furacão Irma. Sob ventos de 200 quilômetros por hora, o monstro meteorológico chegou aos Estados Unidos. Não por Miami, onde se temia um ataque maciço, mas pelo sudoeste da península. Primeiro, por Keys, e, à medida que as horas passam, em direção norte até Naples, Fort Myers e Tampa. Uma vertical de zonas residenciais, onde centenas de milhares de aposentados buscam paz e descanso.

O governo ainda decretou que 540 mil pessoas abandonassem a costa da Geórgia. E no Alabama, na Carolina do Norte e na Carolina do Sul, foi decretado estado de emergência. “O poder destrutivo desta tempestade é enorme”, disse o presidente Donald Trump aos noticiários internacionais. Com 21 milhões de habitantes, o quarto Estado mais populoso dos EUA empreendeu uma gigantesca operação de evacuação e acolhimento; são 385 refúgios públicos habilitados para evitar um catástrofe.

No último furacão desta intensidade a atingir os EUA, Andrew, em 1992, faleceram 65 pessoas, mais de 60 mil vivendas foram destruídas e os danos superaram os 26 bilhões de dólares.



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