Ataque em Hiroshima completa 72 anos e cidade pede fim do uso de armas nucleares

Japoneses veem com preocupação os testes feitos pela Coreia do Norte

Estadão Conteúdo / redacao@diarioam.com.br

A cidade de Hiroshima gritou para o mundo hoje um pedido: que outra catástrofe envolvendo bomba nuclear “jamais aconteça novamente”. Este domingo (6), completa 72 anos de ataque, que usou pela primeira vez na história armas nucleares em guerra e contra alvos civis.

Muitos japoneses e outras pessoas da região veem com preocupação os testes feitos pela Coreia do Norte. Mas as ameaçam despertam uma preocupação especial nos habitantes da cidade na qual 140 mil pessoas morreram no primeiro ataque com a bomba nuclear. O ataque foi seguido por outro no dia 9 de agosto daquele mesmo ano, que matou mais de 70 mil pessoas em Nagasaki.

Pai e filha relembram vítimas de Hiroshima (Foto: Kimimasa Mayama/EFE)

“Esse inferno não é algo do passado”, disse o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, na sua declaração de paz na cerimônia deste domingo. “Enquanto armas nucleares existirem e governos ameaçarem usá-las, o horror pode voltar a nos atingir a qualquer momento”, disse.

Com a tecnologia de hoje, apenas uma bomba conseguiria causar ainda mais danos que as duas lançadas na época, disse o prefeito. “A humanidade não deveria nunca cometer tal ato.”

Em sua mensagem para Hiroshima, o secretário-geral das Organizações das Nações Unidas, António Guterres, disse que a presença de cerca de 15 mil armas nucleares no mundo e sua “perigosa retórica sobre seu possível uso” trouxe mais insegurança. “Agora, nosso sonho de um mundo livre de armas nucleares continua longe de se tornar realidade”, disse. “Os países que possuem armas nucleares têm uma responsabilidade extra no processo de empreender etapas concretas rumo ao desarmamento nuclear mundial”.

A esperança é de que Estados Unidos e Japão continuem apoiando a proibição do uso de armas nucleares, conforme os dois países anunciaram, em 2016, durante a visita do então presidente dos EUA, Barack Obama. Mas essa perspectiva não é tão certeira hoje, diante dos constantes testes da Coreia do Norte. / Dow Jones Newswires