EUA: republicanos deverão ter maioria no Senado e democratas na Câmara

Com maioria na Câmara de Representantes, os democratas terão poder de obstrução, de negociação direta com o presidente Donald Trump

Agência Brasil / redacao@diarioam.com.br

Atlanta – As projeções dos resultados das eleições legislativas nos Estados Unidos(EUA) indicam que os republicanos conseguirão manter o controle do Senado, após a votação que renovou um terço dos senadores, enquanto os democratas conquistarão a maioria dos deputados eleitos para a Câmara de Representantes, que renovou as 435 cadeiras.

Norte-americanos foram às urnas nessa terça-feira (Foto: Reprodução/Globo)

No Senado, 35 dos 100 assentos estavam em jogo, além de governadores de 36 dos 50 estados, mais três territórios. Os dados estão em processo de atualização. Se as informações forem confirmadas, a tendência prevista por analistas será concretizada.

Em sua conta no Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, definiu como “tremendo sucesso” as eleições legislativas. “Tremendo sucesso esta noite. Obrigado a todos”, escreveu, nessa terça-feira (6), o norte-americano.

Trump se manifestou após a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, afirmar que os resultados dos pleitos de metade de mandato representaram “uma boa noite” para o governante. “Atualmente, nos sentimos bem, foi uma boa noite para o presidente até este momento.”

As manifestações ocorreram antes que as principais emissoras de televisão previssem que os democratas tinham arrebatado dos republicanos a maioria da Câmara.

Dificuldades

Com maioria na Câmara de Representantes, os democratas terão poder de obstrução, de negociação direta com o presidente e também condições políticas para investigar e protocolar pedidos, que nem sempre estão de acordo com os interesses da Casa Branca.

Também ficará mais difícil para Trump cumprir promessas da campanha presidencial de 2016, como o financiamento do muro fronteiriço na área que separa os Estados Unidos do México, por exemplo.

O presidente norte-americano terá de negociar mais com os deputados e aumentar a articulação política para dar andamento aos projetos considerados essenciais para sua administração até o Senado.

Participação

Pelos dados oficiais, as eleições tiveram número recorde de candidatas mulheres, imigrantes e muçulmanos, o que, para analistas, seria uma resposta da oposição contra o governo Trump.

Durante a campanha presidencial, Trump foi alvo de denúncias de abuso sexual e de ser favorável à política antimigratória, assim como de discriminação a muçulmanos. Para analistas, a eleição deste ano se revelou uma surpresa pela mobilização do eleitorado.

O analista político Carlo Barbieri disse à Agência Brasil que a “onda azul”, movimento pelo voto a favor do partido democrata, indicou uma reação interessante do eleitorado: campanha concentrada em questões sociais e políticas, não econômicas.

“Esta eleição teve um componente interessante, com a economia aquecida, e um aumento na geração de empregos, a maioria dos candidatos democratas evitou críticas duras sobre Trump. Ao invés disso, eles se concentraram em temas relacionados à saúde, à manutenção do Obamacare e em problemas que poderiam levar o eleitor a perder horas de trabalho para ir votar”, afirmou. “O seguro de saúde é algo que Trump ainda tem de resolver com a população.”

*Com informações da Agência EFE