Agentes penitenciárias denunciam péssimas condições de trabalho

Oito agentes da ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa afirmaram nesta quarta (19) que sofrem ameaças constantes das presas e que local está abandonado.

Manaus – Cerca de oito agentes penitenciárias se reuniram na manhã desta quarta-feira (19) para protestarem contra as péssimas condições de trabalho na ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, localizada na Avenida Sete de Setembro, Centro de Manaus. O secretário executivo adjunto de Justiça e Direito Humanos, coronel Bernardo Encarnação, esteve presente na reunião realizada no presídio.

Aparentado cansaço, as agentes relataram diversas histórias de desrespeito. Segundo Maria do Carmo, que trabalha na cadeia há 25 anos, está quase impossível continuar os trabalhos naquele local. “Não aguentamos mais. Somos ameaçadas 24 horas por dia. As detentas não tem respeito por nós. são 24 horas de terror”, desabafou a agente, que, emocionada, chorou na frente da reportagem, de suas colegas e do coronel Bernardo.

“Estamos sempre sozinhas. Eu já fui enforcada, e a presa falou que era minha hora, totalmente drogada”, relatou Maria do Carmo. “Meu estado emocional está abalado, mas a única coisa que podemos fazer é deixar o portão fechado, porque se elas fugirem nós vamos responder por isso”, completou.

As agentes pedem para que a Secretaria de Segurança Pública do estado promova um concurso público que, segundo elas, não é realizado há 14 anos, a fim de preencher e dar reforço as agentes já efetivadas.

Elas alegam também a falta de policiamento e estrutura para trabalharem. No total, são 230 detentas na cadeia pública para duas agentes por plantão.  A cadeia conta com 8 agentes concursadas, que estão trabalhando ativamente. Outras duas estão de licença e o restante são funcionárias contratadas que, não aguentando o terror, pedem para ser transferidas para outros setores, como o da enfermaria, por exemplo.

Por conta da insegurança, as agentes vivem com o medo de serem machucadas pelas presidiárias. Elas também afirmam que não fazem o trabalho direito para não arriscarem a própria vida. “Às 9 horas da noite, as detentas ainda estão em seu banho de “sol”, todas soltas de sutiã e short. Jogam trouxinhas com maconha, cocaína, garrafas de corote e celulares pelo muro. E nós não podemos fazer nada, pois elas ameaçam puxar os cabelos, nos amarrar e torturar. Temos internas condenadas por homicídio, latrocínio, e até que mataram o próprio filho. Já tem mulheres sentenciadas há 16 anos mas que nunca foram levadas para a penitenciaria”, afirmou Dora Suelly Gomes, funcionária da cadeia pública há 26 anos.

Ainda segundo as agentes, as detentas não usam as fardas, fazendo capas de travesseiro com o tecido e vendendo-os a R$ 10 para pagarem as drogas. Além disso, as celas apresentam problemas nas fechaduras, além de infiltrações no alojamento das agentes. Até algemas estão faltando na cadeia pública. “Nós somos profissionais, queremos mostrar trabalho, mas com essas condições não dá. Não temos apoio, nem se quer uma garrafa de café para nos manter acordada durante a noite”, ressaltou Dora. 

A reunião foi finalizada com o pronunciamento do Coronel Bernardo Encarnação que afirmou que as queixas já foram encaminhadas ao Secretário de Segurança, Zulmar Pimentel e que mesmo com vários anos sem o concurso, a proposta foi encaminhada e está em trâmite na sede do governo. “Hoje nós precisaríamos de pelo menos 60 a 70 novas agentes para a Raimundo Vidal Pessoa e para a Penitenciária Feminina”, finalizou o coronel.