Amazonas já registrou 40 denúncias de assédio moral no trabalho em 2012

O Portal D24AM entrevistou algumas vítimas de assédio moral, que contaram como superaram e reagiram às humilhações trabalhistas. Em 2011, o número de denúncias chegou a 62.

Manaus – O número de denúncias de assédio moral ou violência moral no trabalho cresceu entre os anos de 2011 e 2012. Somente neste primeiro quadrimestre, o Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT) registrou 40 denúncias de assédio moral. No ano passado, o número de denúncias chegou a 62. O Portal D24AM entrevistou algumas vítimas de assédio moral, que contaram como superaram e reagiram às humilhações trabalhistas.

A exposição de trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetidas vezes durante a jornada de trabalho, é considerado crime de assédio moral, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. Muitas pessoas não denunciam, por medo de ‘se queimar’ no mercado de trabalho. Mas a verdade é que, segundo o MPT, os trabalhadores não querem mais aguentar calados, o que vem causando um aumento significativo no número de processos.

O jornalista Nailson Castro, por exemplo, foi uma das pessoas que denunciou a empresa em que trabalhava por crime de assédio moral. Além disso, ele entrou na justiça e ganhou a causa. Nailson contou que sofria discriminação de sua ex-chefe, que fazia de tudo para inferiorizá-lo. “Tudo começou quando ela ficou grávida, eu ainda era estagiário, e nesse período ela enjoou de algumas coisas, entre elas, da minha pessoa”, disse.

Diante de muitas substituições de cargo, ameaças de demissão em muitos anos na empresa, o jornalista decidiu não se calar, e comunicar aos seus superiores o que estava acontecendo com ele.” A vaidade das outras pessoas, principalmente da chefe, me colocou no time dos maus quistos. Apenas alguns jogam nesse time, pois é preciso ter coragem e ser verdadeiro. Quem joga nele, não aceita algumas situações erradas, emite opiniões, tem pensamento próprio e por isso acaba sendo castigado”.

Ele contou ainda que a chefia estava só esperando um “vacilo” dele para justa causa, e com isso, resolveu fazer uma carta contando toda a sua história, e enviar para os superiores e colegas de sua ex-empresa.

 “A chefe declarou que iria “jogar duro” comigo. Que me tiraria mais uma vez da condição de repórter e que me colocaria mais uma vez como produtor. Afirmou que iria esperar um vacilo meu para me aplicar a ‘justa causa’. E delegou à chefe de reportagem, a responsabilidade de “pegar no meu pé” até que conseguisse o motivo que ela precisa para me demitir”, contou. 

Não aguentando tantos infortúnios, Nailson pediu demissão, mas, como dito no inicio de sua história, não suportou calado e correu atrás de seus direitos e ganhou a causa na justiça do trabalho. 

Xingamentos e humilhações

O vendedor Pedro Lima, também passou por uma situação parecida. Ele trabalhava em uma loja de instrumentos musicais como vendedor, mas afirmou que tinha várias funções diferentes. “Na minha carteira, fui contratado como vendedor, porém, fazia todo tipo de trabalho na loja. Carregava, limpava, e já cheguei até a ficar no caixa”, comentou.

Pedro contou também, que além do acúmulo de funções, ele era xingado diariamente pelo seu patrão. “Ele chamava vários palavrões para mim, e para os outros funcionários. Éramos chamados de ‘lerdos’, incompetentes, entre outras palavras mais feias, que não vale nem a pena citar”, disse.

Ele, assim como o jornalista Nailson, também processou a empresa em que trabalhava e conseguiu ganhar a causa. “O importante é não aguentar calado. Porque quanto mais se suporta a situação, pior fica. E isso se repetirá com outras pessoas, por isso é importante denunciar”, recomendou.

Existe também aqueles que sofrem de assédio moral, mas que não tem coragem de denunciar. A assistente comercial Maria Brisa Souza, trabalha no ramo de hotelaria, e afirmou que sofria assédio moral quase que diariamente de sua ex-gerente. “Ela gritava conosco, não sabia ser uma boa líder. Meu computador era rastreado todos os dias. Ela implicada comigo e até as ligações pessoais ela queria monitorar”.

Maria não quis denunciar a empresa, por trabalhar em uma área do mercado onde muita gente se conhece. “Os gerentes e donos de hotéis geralmente se conhecem. Eu não quis queimar meu nome, pois eu precisava arrumar um emprego em outro local, e nós sabemos que quando processamos uma empresa, fica difícil arrumar outro emprego bom, pois os patrões ficam com medo”, disse.

Saiba como denunciar

O procedimento para quem deseja denunciar o crime é simples. A pessoa deverá dar entrada no protocolo no Ministério Público do Trabalho, levar informações com relação a empresa denunciada (nome da empresa, endereço, telefone, cnpj, nome fantasia, etc). Após denunciada, o MPT irá investigar a empresa, tudo em sigilo absoluto.