Ato contra intolerância religiosa reúne 11 credos em Manaus

As comemorações do Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa aconteceram na Igreja da Matriz, no Centro. Cerca de cerca de 400 pessoas participaram.

Manaus – Nesta sexta-feira, 21 de janeiro, é comemorado o Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa. Em Manaus, cerca de 400 pessoas de 11 credos se reuniram, na Igreja Católica da Matriz, Centro, para pedir por mais respeito à diversidade. Segundo a organização do ato, esta é a primeira vez que o Amazonas realiza um evento do tipo.

A reunião contou com mulçumanos, católicos, budistas, messiânicos, evangélicos, judeus, espíritas, mórmons, representantes de religiões de matrizes africanas, representantes da Seicho-No-Ie e kardecistas. Ao longo do ato ecumênico, líderes e praticantes tiveram a oportunidade de falar sobre as próprias religiões e sobre o elemento que, segundo eles, é igual em todos os credos: a busca pelo amor.

A representante da Seicho-No-Ie no Amazonas, Ilka Kaoru Yokoyama, acredita que o homem sempre esteve ligado à Deus e que reuniões como esta são importantes para trazer a humanidade de volta à harmonia. “Através dos tempos, pelas dificuldades do dia-a-dia, a gente esquece de estar com Deus. Por isso, devemos estar com a mente sempre em harmonia para atrair coisas boas”. Diante da diversidade das religiões, ela também ressalta o livre-arbítrio nos pensamentos.

Criada em 1930 no Japão, Seicho-No-Ie é uma filosofia que abraça todos os credos. De acordo com Yokoyama, devido a este aspecto, a filosofia oriental vêm crescendo no Amazonas.

Preconceito diminui

Questionada sobre uma possível intolerância do amazonense, a presidente da Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas (Fucabeam), Mãe Emília de Lissa, diz que, hoje, os praticantes de religiões africanas não enfrentaram mais tantos problemas com preconceito quanto antigamente. Porém, ela ressalta que está é uma mudança recente. “Há 50 anos atrás, sofríamos muito. Até prisão tinha para quem fizesse culto”.

Para Mãe Emília, somente a união é capaz de acabar com as indiferenças. “Nós falamos a mesma língua. Somos filhos do mesmo Pai. Temos que ter união”.

Já a organizadora do evento e diretora do Departamento Estadual de Direitos Humanos (DEDH), Michelle Custódio, destaca que, o que leva ao preconceito, é a ausência de informação e a “falta de oportunidade de conhecer o diferente”.

“No passado, faltou um clima de conversa. E só o fato de estarmos todos reunidos aqui, mostra que eles (membros religiosos) querem manter o respeito à diversidade”, comenta.

Segundo a diretora, reunir as religiões em um mesmo espaço não foi difícil. Ela ainda conta que outro evento já está marcado para o dia 17 de fevereiro. “Acredito que devemos fortalecer todo o acesso a informação para que as pessoas possam conviver em hamonia”.