Ato vai protestar contra tributação na próxima quarta em Manaus

De acordo com a instituição, o brasileiro trabalha em média 145 dias ao ano para pagar impostos. As alíquotas sobre bebidas alcoólicas, cigarros e serviços são as mais pesadas para o consumidor.

Manaus – Na próxima quarta-feira, a divisão de jovens empresários da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Amazonas (CDL/AM -Jovem) fará uma ação em um posto de gasolina de Manaus para conscientizar a população sobre a alta carga tributária que incide sobre o preço de cada produto.

De acordo com a instituição, o brasileiro trabalha em média 145 dias ao ano para pagar impostos. As alíquotas sobre bebidas alcoólicas, cigarros e serviços são as mais pesadas para o consumidor.

Segundo o diretor do grupo, José Benchimol, enquanto que na Argentina é preciso trabalhar 97 dias para pagar impostos e no Chile deve-se trabalhar 92 dias, no Brasil o cidadão trabalha em média 145 apenas para pagar impostos indiretos.

Para exemplificar o peso da carga tributária no preço dos produtos, no dia 25 a CDL-Jovem promoverá o Dia da Liberdade do Imposto, em parceria com o posto de combustível Shell da Avenida Djalma Batista, zona centro-sul, que comercializará 5 mil litros de gasolina ao preço de R$ 1,90.

“Escolhemos a gasolina para esta ação porque é algo que todo mundo usa. Todo mundo sabe quanto a gasolina custa no posto, mas pouca gente sabe quanto deste preço é pago em impostos”, afirma Benchimol.

Atualmente, a gasolina custa em média R$ 2,80 em Manaus. No preço final que chega ao consumidor incidem os impostos federais de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (CIDE), do Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor (PIS/Pasep) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), além do Imposto Estadual sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Juntos estes tributos representam metade do valor pago pelo consumidor na bomba do posto. “A carga tributária no Brasil é muito elevada e injusta, porque a maior parte da arrecadação é sobre impostos indiretos, como o ICMS e o Pis/Cofins. Então na hora de comprar um pão todo mundo paga o mesmo imposto, ganhe a pessoa R$ 1 ou R$ 1 milhão. Dessa forma, a carga termina sendo relativamente maior para a população que tem a menor renda”, observa o economista Rodemarck Castelo Branco.

Segundo o economista, a população em geral não tem conhecimento da quantidade de impostos que paga diariamente. “Mudar o modelo atual seria uma solução bem complicada. Mas existem medidas simples que poderiam ser discutidas. Muitas vezes, quando o setor estatal está com dificuldade de ter um orçamento eficiente para atender suas necessidades, a primeira coisa que se faz é aumentar os impostos, enquanto que o que deveria ser feito é discutir como melhorar a eficiência da administração destes recursos. Pois o aumento da carga acaba influenciando no poder de consumo”, afirma.