Braga diz que valorização das empresas explica patrimônio

Pré-candidato ao Senado, o ex-governador afirmou que, em 2008, vendeu a participação acionária em oito das empresas que controlava, junto com sua família.

O ex-governador do Amazonas e candidato ao Senado, Eduardo Braga, informou, nesta quarta-feira, que a evolução de 292% no seu patrimônio, desde 2006, “tem uma explicação simples, facilmente constatada mediante uma análise da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2009”.

Pela sua assessoria de imprensa da campanha ao Senado, Braga disse que, “em 2008, vendeu a participação acionária em oito das empresas que controlava,  junto com sua família, ao grupo cearense Porto: as concessionárias Nissan e Renault no Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima”. E que “a operação levou em conta a valorização das companhias no mercado e foi realizada com lucro real”.

Disse que “os dividendos decorrentes dela (operação) foram investidos em aplicações, imóveis e ações que não constavam das declarações anteriores, daí o incremento no patrimônio”. A sociedade na Parintins Automóveis, hoje, afirmou, limita-se às revendas de motocicletas.

Braga informou, ainda, que “tem por princípio nunca omitir, em suas declarações de bens tanto na Justiça Eleitoral quanto na Receita Federal, toda e qualquer operação financeira, aquisição ou venda de bens”. Disse que “tem sido assim desde a primeira campanha eleitoral, em 1982”.

O patrimônio do ex-governador Eduardo Braga (PMDB) aumentou em 292% nos últimos quatro anos, segundo dados declarados à Receita Federal e apresentados ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) para o registro de candidatura a uma vaga ao Senado.

Em 2006, quando Braga disputou a reeleição ao governo do Estado, ele declarou bens avaliados em R$ 4.180.951,33. Nas eleições deste ano, esse valor pulou para R$ 16.417.103,64, com um aumento de R$ 12.306.052,08.

Entre os bens adquiridos por Braga no último mandato como governador estão: um apartamento no condomínio Maison Camille, em São Paulo, no valor de R$ 570 mil; um terreno no bairro Ponta Negra, de R$ 100 mil; um veículo importado da Mercedez Bens, estimado em R$ 295 mil; uma lancha avaliada em R$ 200 mil e um jet ski de R$ 40 mil.

O maior patrimônio do ex-governador está aplicado em fundos de investimento de renda fixa, totalizando R$  9.939.593,45. Em 2006, as aplicações financeiras de Braga não passavam de R$ 600 mil (R$ 573.480,14).  
 
Sociedade

A participação na empresa em que o ex-governador mantém sociedade, a Parintins Automóveis, também aumentou nos últimos quatro anos. Em 2006, as ações dela estavam avaliadas em R$ 610,915 mil e em 2010, esse valor subiu para R$ 1.529.145.

Em outra empresa em que Braga tem sociedade, a Parintins Participações, a avaliação das quotas diminuiu. Há quatro anos, elas estavam avaliadas em R$ 220 mil e este ano elas passaram a custar R$ 110 mil.

Na conta-corrente, Braga tem depositado quase meio milhão de reais. Na Declaração do Imposto de Renda deste ano, ele apresentou um saldo total na conta-corrente de de R$ 498.893,62. Em 2006, o governador tinha no banco um valor total de R$ 14 mil.

Braga também investe em ações. Ele possui R$ 75,313 mil de ações na Petrobras e R$ 43,269 mil na Vale do Rio Doce.

Além dos investimentos financeiros e sociedade em empresas, Braga também tem um salário vitalício como ex-governador de R$ 18 mil por mês.

Outros

A deputada federal Vanessa Grazziottin (PCdoB), parceira de Eduardo Braga na coligação ‘Avança Amazonas’, e que concorre a uma vaga no Senado da República, teve uma variação patrimonial de 26% entre 2006, quando disputou uma vaga na Câmara Federal e este ano, .

Há quatro anos, a deputada declarou à Receita Federal que possuía R$ 243.588,59 em bens e em 2010, esse valor subiu para R$ 330.501,42, com uma diferença de R$ 86.912,83.

Entre os bens da parlamentar estão: um apartamento no condomínio Rio Tupana, que ela informou ter pago 50% do valor, R$ 97,2 mil e um veículo Pegeout, avaliado em R$ 15,3 mil. Vanessa também declarou que pagou metade de outros dois apartamentos, no valor de R$ 137,2 mil.

O candidato à reeleição pela coligação ‘Melhor para Todos’, Jefferson Praia (PDT), declarou R$ 251.827,00 de patrimônio. Em 2006, quando disputou como suplente do senador Jefferson Péres, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não informou os dados.

A outra candidata ao Senado pela coligação ‘Melhor para Todos’, ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e ex-secretária de Estado Marilene Corrêa, apresentou uma declaração patrimonial de R$ 189,440 mil à Receita Federal.

Na relação de bens da ex-reitora constam uma casa no bairro Parque Dez, zona Centro-Sul da cidade no valor de R$ 94 mil; uma casa no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus, estimada em R$ 80 mil e um veículo avaliado em R$ 20 mil.

A reportagem tentou obter as declarações de bens dos candidatos ao Senado, Arthur Virgílio Neto (PSDB), Evandro Carreiras (PSOL) e Tarcísio Leão (PSTU), mas não obteve sucesso. O advogado de Arthur Neto, Yuri Dantas, disse que irá entregar a declaração de bens do parlamentar, nesta quarta-feira, ao TRE-AM e só depois divulgará os dados à imprensa.