Candidatos ‘nanicos’ à presidência da República lutam para ganhar estatura na campanha

É quase um se vira nos 30 político: cada um terá, a partir de terça-feira, 55,56 segundos de propaganda.

Brasília – Eles compreensivelmente rejeitam o rótulo. “Nanico” pode não ser desonra, mas não é exatamente elogio. O verbete “partidos nanicos” no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) define: “os que hajam conseguido eleger pequeno número de representantes em especial, à Câmara dos Deputados”. Mas os pequeninos desta corrida presidencial querem superar o próprio nanismo e ganhar estatura, principalmente no Congresso. Afinal, de bancada em bancada, chega-se à do Jornal Nacional.

Zé Maria (PSTU), José Maria Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm diferenças entre si. O que os une é uma espécie de grito dos excluídos, uma indignação por estarem de fora da cobertura maciça da imprensa e dos debates televisionados – exposição que, para eles, poderia ser o antídoto para o status permanente de pequenos. Já a imprensa argumenta que não lhes dá espaço justamente pelo fato de eles serem nanicos. Na pesquisa Ibope/Estado/TV Globo mais recente, nenhum deles chegou a 1% das intenções de voto.

Os presidenciáveis atacam com os recursos e os discursos que têm para escapar desse ciclo. É quase um “se vira nos 30” político: cada um terá, a partir de terça-feira, 55,56 segundos de propaganda. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) – recém-desgarrado do nanismo, depois de uma aparição bem-sucedida no debate da Bandeirantes – têm, somados, mais de 20 dos 25 minutos diários do horário gratuito. Causar impacto em tão pouco tempo é a saída e o desafio.

Marqueteiro

As cinco campanhas nanicas se organizam sem a figura já clássica do marqueteiro. Em todos os casos, os próprios candidatos supervisionam a confecção de seu marketing – Levy Fidelix e Eymael têm a seu favor o fato de terem empresas e experiência nessa área. “Como o tempo é pequeno, tenho que falar de maneira contundente”, diz Fidelix, de maneira empolada. “Mas não sou o Enéas. Minhas falas têm mensagem e o povo simples entende”.

A grande aposta de Eymael é o relançamento de seu consagrado jingle em versões axé, milonga e sertaneja, para ser o ringtone de celulares simpáticos à causa democrata-cristã. Rui Pimenta é jornalista e conta com a estrutura do partido para formular sua propaganda. “Nosso principal veículo é o jornal Causa Operária”, explica. O semanal tem tiragem de 6,5 mil exemplares e, na edição mais recente, traz sete longas páginas com textos de Leon Trotsky, em um especial pelos 70 anos de sua morte.

O comunista Ivan Pinheiro usa o mesmo instrumento, um jornal tabloide de quatro páginas. “Além disso, vamos fazer um programa de TV diferente de tudo que já se viu”, promete o representante do antigo Partidão. “Somos o único partido que fala do mundo, não só do Brasil”. São também dos poucos que defendem as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Zé Maria, do PSTU, não está tão empolgado com o horário gratuito. “Sabemos que, no fim, vamos atingir uma parcela pequena da população, porque falamos, principalmente, para nosso público, que são os estudantes e os trabalhadores.