Carreira de Wallace Souza teve início fulminante e começou a ruir em 2009

O ex-deputado estadual, ao lado dos irmãos - o vice-prefeito Carlos Souza e o vereador Fausto Souza -, respondia processo por associação para o narcotráfico.

Manaus – A vida pública de Wallace Souza foi marcada por grandes vitórias e polêmicas. O ex-policial iniciou a carreira política em 1998, como deputado estadual mais votado do Amazonas, com 51.181 votos. Já naquela época, Wallace apresentava o programa Canal Livre, na TV Rio Negro. Ao lado dos irmãos, o vice-prefeito Carlos e o vereador Fausto, o então deputado Wallace comandava o programa com casos policiais, mostrando assassinatos, seqüestros e operações de repreensão ao tráfico. Em 2002, foi reeleito, com 47.036 votos é novamente o mais votado. Quatro anos depois, mais uma vez, foi eleito o deputado estadual mais votado do Amazonas, pelo Partido Progressista (PP), com 48.965 de votos.

A carreira política de Wallace começou a ruir no dia 25 de abril de 2009, quando a Policia Civil entrou na casa do ex-parlamentar e apreendeu grande quantidade de dinheiro e ouro, além de armas e munição. O filho do ex-parlamentar, Raphael Souza, assumiu ser dono do material e recebeu voz de prisão. A operação foi muito tumultuada. Juntamente com Wallace, os irmãos Carlos e Fausto Souza tentaram impedir a ação da polícia.

Wallace Souza e os irmãos foram acusados de associação ao tráfico. Além disso, a polícia suspeita que o trio mandava matar traficantes adversários apenas para mostrar no programa de TV e, assim, aumentar a audiência.

No dia 1º de outubro de 2009, a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) cassou o mandato de Wallace Souza, por quebra de decoro parlamentar. Em votação secreta, 16 deputados votaram a favor da perda de mandato. O placar marcou quatro votos contra e três abstenções. Vestido de branco e com uma Bíblia nas mãos, Wallace chorou em plena ALE, recebendo o apoio apenas do deputado Wilson Lisboa, presidente da sessão.

Wallace Souza era investigado pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de drogas, ameaça a testemunhas e porte ilegal de armas. O caso ganhou repercussão internacional após denuncia no Fantástico, da Rede Globo. O “Caso Wallace” esteve nas páginas do Público (Portugal), Huffington Post (Estados Unidos), Libération.fr (França), Al Jazeera (Oriente Médio), The Guardian e BBC (do Reino Unido).

Sem fórum privilegiado, Wallace teve a prisão preventiva decretada no dia 5 de outubro, por associação ao tráfico. Agentes da Policia Civil e Federal procuraram o ex-parlamentar por toda cidade, chegando a armar barreiras nos portos e aeroportos da capital. Após quatro dias foragido, Wallace se entregou a polícia, em 9 de outubro de 2009.

Mesmo sem ter curso superior, Wallace foi levado para uma cela especial no 1º Batalhão da Polícia de Choque, localizado no km 17, da AM 0-10. A Policia temia pela segurança do acusado.

No dia 11 de maio de 2010, a produtora e repórter do “Programa Canal Livre”, Gisele Vaz, afirmou em depoimento prestado na 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecente (2ª Vecute), que participou de pelo menos uma das reuniões em que Wallace Souza tramava, junto a mais três pessoas, o assassinato da juíza federal Jaiza Fraxe

No dia 7 de julho de 2010, o juiz responsável pela investigação do “Caso Wallace”, Mauro Antony, declarou que o processo está perto de chegar ao fim. Até agora, foram ouvidas 12 réus e testemunhas de defesa. Mauro Antony espera encerrar o caso em dezembro deste ano.

Saúde

Após a cassação, a saúde de Wallace Souza ficou abalada. Ele chegou a ser levado em uma maca a uma audiência na ALE-AM.

A primeira internação do ex-parlamentar, após cassação, foi no dia 2 de novembro de 2009. Ele deixou a prisão e foi encaminhado à Beneficente Portuguesa, Centro de Manaus. Com dores no abdômen e no tórax, Wallace ficou internado por três meses e meio, quando recebeu alta no dia 16 de fevereiro e voltou para casa, para cumprir prisão em regime domiciliar.

No dia 18 de março de 2010, com doença crônica no fígado, o ex-parlamentar foi transferido para o Hospital Bandeirantes, em São Paulo.

No dia 11 de junho, o quadro clínico do acusado piorou, devido a complicações nos rins e nos pulmões. Wallace deu entrada na Unidade de Tratamento Intensivo, chegando a ficar sob coma induzido e respirando por aparelhos.

Durante todo esse período ele ficou sob guarda de agentes da Polícia Federal. A família de Wallace tentou retirar a escolta policial e até transferi-lo para tratamento em Miami, nos Estados Unidos, mas a Justiça negou os pedidos.

Após muitos boatos, Wallace Souza faleceu devido a uma parada cardíaca e infecção generalizada, no Hospital Bandeirante, na tarde desta terça-feira, dia 27 de julho de 2010. Ele era casado e deixou três filhos.