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RSSDefasagem de preços da gasolina derruba ganhos, diz Petrobras
A estatal pressionou o Ministério da Fazenda por um reajuste dos preços do combustível no ano passado, mas só conseguiu elevar em 10% o preço da gasolina e em 2% o do diesel em 1º de novembro
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A empresa deixou de ganhar pelo menos R$ 4 bilhões, de janeiro a outubro de 2011, ao manter o preço da gasolina inalterado nos postos nesse período. Foto: RAIMUNDO VALENTIM
Rio de Janeiro - A elevada defasagem dos preços dos combustíveis (gasolina e óleo diesel) vendidos pelas refinarias da Petrobras no país, em relação aos preços cobrados no mercado internacional, foi uma das principais causas para a forte redução do lucro da estatal no quarto trimestre do ano passado. A explicação foi dada nesta sexta-feira (10/2) pelo diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, ao detalhar os resultados da companhia em 2011. Segundo o executivo, a defasagem de preços foi responsável por cerca de 50% da queda do lucro no quarto trimestre que ficou em R$ 5 bilhões, contra R$ 10,6 bi em igual trimestre de 2010.
Os preços dos combustíveis vendidos pela Petrobras foram inferiores aos preços do mercado americano, em média, R$ 26,59 por barril. Já em 2010 essa diferença foi de apenas R$ 7,95 por barril.
A estatal pressionou o Ministério da Fazenda por um reajuste dos preços do combustível no ano passado, mas só conseguiu elevar em 10% o preço da gasolina e em 2% o do diesel em 1º de novembro. Foi o alívio possível concedido pelo governo, que, para evitar alta dos preços ao consumidor, reduziu o peso da Cide (tributo que incide sobre combustíveis).
A empresa deixou de ganhar pelo menos R$ 4 bilhões, de janeiro a outubro de 2011, pelos cálculos do especialista Adriano Pires, ao manter o preço da gasolina inalterado nos postos nesse período. Ao mesmo tempo, a empresa importava o combustível por um preço maior no mercado internacional, para suprir a demanda no Brasil.
"Os problemas que enfrentamos são conjunturais, porque estruturalmente a companhia mostra enorme perspectiva de crescimento", disse Gabrielli à jornalistas em evento de despedida de parte da diretoria.
Gabrielli destacou que a política de preços de longo prazo, adotada pela empresa, estabiliza o fluxo de caixa da companhia. "Essa estabilização do fluxo de caixa em certos momentos é negativa, mas em outros momentos vai crescer. Estamos em um momento de transição que se refletiu nos resultados do último trimestre do ano", afirmou Gabrielli.
O diretor Almir Barbassa explicou que o câmbio também impactou fortemente nos resultados da companhia no último trimestre do ano passado. Outra razão para a redução do lucro foram as paradas não programadas nas plataformas por exigências dos órgãos reguladores como a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, isso resultou em uma redução média de 40 mil barris diários na produção, que causa impactos no aumentos de custos operacionais.
Apesar da forte queda do lucro líquido no quarto trimestre de 2011, Barbassa destacou que os resultados operacionais da companhia foram muito positivos. O diretor disse que a Petrobras tem R$ 150 bilhões já gastos em projetos que estão em andamento e que começarão a dar resultados nos próximos anos. "A Petrobras é uma nave andando em alta velocidade e em uma rampa em crescimento. Essa é a companhia que temos hoje e que a presidente Graça (Maria das Graças Foster) assume", destacou Barbassa.
Durante a apresentação dos resultados financeiros do ano passado, com a presença de toda diretoria, Gabrielli se mostrou descontraído e alegre. A diretora de Gás e Energia, Graça Foster, que assumirá a presidência da Petrobras na próxima segunda-feira, não quis fazer qualquer comentário sobre seus planos à frente da companhia. "Estou sem gravata porque estou ficando baiano. Estou sem gravata para fazer a transição, porque a partir da próxima terça-feira estarei na gloriosa cidade de São Salvador", afirmou Gabrielli.
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