Em Manaus, mulher corta grávida e rouba o bebê

Segundo os policiais, Dayana mentia para a família dizendo que estava grávida e, por isso, procurava um "filho" para apresentar aos familiares.

Manaus – Dayana Pires dos Santos, 21, foi presa nesta terça-feira (25) após confessar que tentou matar a coariense Odete Pego Barreto, 22, grávida de nove meses, com uma lâmina de barbear para roubar o bebê.  A vítima está internada em estado grave no Hospital Pronto Socorro João Lúcio, em Manaus. A criança, ferida,  não corre risco de morte.  De acordo com a Polícia Civil (PC), a suspeita provocou uma cesariana forçada na grávida em frente do filho da vítima, um garoto de um ano e seis meses. Para a polícia, o crime pode ter sido premeditado. 

Na delegacia, Dayana disse que, após descobrir que não estava grávida, teve medo de perder o marido e manteve a farsa. Ela contou, ainda, que conheceu Odete na Unidade Básica de Saúde (UBS) Mauazinho, onde faziam pre-natal “juntas”. “Ela disse que estava com mais de seis meses e que não tinha enxoval. Falei para ir até minha casa que eu daria o que tinha comprado”. 

“Eu bati na cabeça dela com uma tábua de cortar carne. Ela caiu e eu usei uma lâmina de barbear para fazer o parto. Eu não sabia nem o nome dela”, detalhou. Assim que terminou de tirar a criança da barriga da mãe, Dayana chamou uma vizinha e disse que havia dado a luz, conforme a mesma relatou. A acusada afirmou que “queria muito um filho”

A locatária e vizinha de Dayane, Neuliane da Rocha, 30, disse que ouviu muito barulho e choro dentro da casa, e bateu na porta oferecendo ajuda.  Dayane só abriu a porta quando ela ameaçou invadir a residência. “Ela estava completamente nua, ensanguentada e com um recém-nascido no colo. Pensei que fosse filho dela que havia nascido”, contou.  Neuliane afirmou que levou Dayane e o bebê para a maternidade no carro de um vizinho porque o Samu, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar (PM) demoraram a chegar.

O marido de Dayane, José Lira de Oliveira, 32, afirmou que acreditava que ela estava grávida, porque ela dizia que ia ao médico quinzenalmente. Ele disse que a mulher contou que estava com miomas no útero e a gravidez era de risco. “Ela estava com a barriga grande e realmente parecia grávida. Todos nós acreditamos”. Segundo José, Dayane sofreu dois abortos espontâneos nos últimos meses, e queria muito ser mãe.

Odete foi encontrada por uma outra vizinha, que entrou na casa procurando roupas para levar à maternidade. De acordo com a Perícia Civil (PC), a tábua e a lâmina foram encontradas na casa. A Perícia informou que no local há indícios de que houve luta corporal e a moça foi encontrada nos fundos da casa, coberta por uma caixa de papelão.

Na UBS onde Odete dizia realizar pré-natal, na ficha dela, constava que desde maio ela já sabia que não havia gravidez. Já na ficha de Odete, o parto estava marcado para a próxima semana. 

De acordo com o conselheiro tutelar da zona leste, Jhony Menezes,  a criança que presenciou tudo e estava com marcas de sangue na roupa, está traumatizada e só pronunciou a palavra ‘caiu’ durante todo o dia.

O Samu fez os primeiros socorros na vítima e a levou para o João Lúcio. Dayane foi presa na maternidade Ana Braga, e levada ao 25º DIP. O recém nascido permanece na unidade, em observação.

A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou que a a vítima passou por uma cirurgia de emergência para fechar o corte no abdomen e está em coma induzido. A criança que estava com ela foi encaminhada a Serviço de Apoio Institucional (Sai).