Ex-presidente do Inep questiona a utilidade do modelo atual do Enem

Para Otaviano Augusto Helene, o concurso não está cumprindo seu papel de facilitar o acesso a universidades.

São Paulo – Após falhas no cartão de respostas e em questões de um dos tipos de prova, a Justiça Federal concedeu liminar para suspensão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em entrevista ao site Terra Magazine, o ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no governo Lula, Otaviano Augusto Helene, critica a prova no modelo atual e vê motivos para que ela deixe de existir.

Em coletiva na segunda-feira (8), o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que tentará reverter a decisão e defendeu a validade das provas já realizadas, com o direito dos alunos prejudicados por erros de refazerem o teste.

Para Helene, que assumiu em 2003 quando o ministro da educação era Cristovam Buarque (PDT), as falhas são uma das desvantagens da prova, que, acredita, não está cumprindo seu papel de facilitar o acesso a universidades.

“Os dados disponíveis indicam que quem vai bem no vestibular tradicional, vai bem numa prova tipo Enem. Quem é fraco é fraco em qualquer coisa. Então, essa história me parece que não surtiu efeito. Se não surtiu efeito, não tem que manter.”

A reportagem entrou em contato com o Inep, mas recebeu a resposta de que o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, não poderia atender. Pela manhã, ele conversou com a TV Globo e afirmou que não considera a possibilidade se anular o Enem. A juíza do Ceará, Carla de Almeida Miranda Maia, que emitiu a liminar, questiona que uma nova prova apenas aos que manifestarem terem sido prejudicados “poria em desigualdade os candidatos”.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirma que há mecanismos matemáticos que garantiriam o mesmo nível de dificuldade para uma nova prova.

Apenas a aplicação e correção das provas do Enem deste ano gerou um custo de R$ 128,5 milhões para o MEC, pagos ao consórcio Cespe/Cesgranrio, que realizou as provas. Helene acredita que as falhas podem ser fruto da dificuldade de contratar empresas e gráficas para uma prova da proporção que o Enem tomou, com mais de 4 milhões de inscritos.

“É grande para a capacidade do país. Nos países que tem exame final de ensino médio, eles são controlados totalmente pelo setor público”.