Falta de trigo em Manaus eleva o preço do pãozinho francês em até 25%

Sindpan/AM atribui o reajuste à greve da Suframa, que está impedindo a liberação de trigo. Aumento deve se estender a mais estabelecimentos na próxima semana.

Manaus – O tradicional pãozinho francês está até 25% mais caro em padarias de Manaus. O presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas (Sindpan/AM), Carlos Alberto Azevedo, disse que o reajuste é efeito, principalmente, da greve dos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) que está prejudicando a distribuição de trigo na capital.

O reajuste médio do pão em Manaus, conforme Azevedo, varia de 10% a 12%. O aumento, reflexo da paralisação que chega hoje ao 37º dia, deve se estender a mais estabelecimentos do segmento a partir da próxima semana e o reajuste pode ser ainda maior. “As empresas de menor porte estão aumentando mais e mais rapidamente os preços para compor a diferença do custo de produção. Os estabelecimentos de porte maior devem reajustar os preços a partir do começo de abril”, disse o presidente do Sindpan/AM, ao informar que o quilo do pão francês é encontrado em Manaus entre R$ 5 e R$ 12,90.

Azevedo afirma que a principal explicação para o aumento é a greve dos servidores da Suframa. “As distribuidoras estão com problema de liberação de farinha de trigo e, por isso, o produto ficou escasso na cidade”, afirmou o empresário.

Em uma padaria localizada no bairro Zumbi, zona leste de Manaus, o preço da unidade do pão saiu de R$ 0,20, em fevereiro, para os atuais R$ 0,25, uma diferença de 25%. De acordo com a comerciante Maria de Jesus, o saco com 50 quilos do trigo custava R$ 98 no mês passado e passou para R$ 125. “Era R$ 0,20 o pão e já estávamos perdendo muita coisa”, disse a comerciante.

O aumento do trigo, não esperado pelas panificadoras, fez com que o custo de produção aumentasse. Um mercadinho do Conjunto Santos Dumont, no bairro Flores, zona centro-sul, reajustou o valor do quilo do pãozinho de R$ 8 para R$ 9,50, um aumento de 18,75%.

Segundo levantamento do Sindpan/AM, 40% do mercado é abastecido com trigo revendido pelas distribuidoras, que em 2013 eram em torno de 42 empresas. O saco de 50 kg chegou a R$ 140, baixando recentemente para R$ 130. Em janeiro, o saco custava entre
R$ 98 e R$ 100.

Já o único moinho da cidade, o Grupo Orim Trigolar, está com estoque de farinha normalizado. “O trigo do moinho vem em navio, em grão, e é processado aqui. Demora um pouco, mas quando libera, libera tudo. Já o trigo dos distribuidores vem em carreta e são muitas a liberar”, explica Azevedo. Um navio transporta o equivalente a produção de 30 dias.

O reajuste tem surpreendido consumidores na capital. “Ah, sim. Nos pegou de surpresa tanto como consumidora, quanto como quem trabalha com isso”, conta a dona de casa Rosemeire Luciano. Ela também faz bolos e salgados para vender e sente dificuldade para encontrar trigo nos mercados da cidade.

A tendência é manter o preço do pão com o reajuste. “Temos experiência e sabemos que mesmo depois que o mercado normalizar, dificilmente o trigo voltará a ter o preço de antes”, avaliou Azevedo.

Além da greve da Suframa, o reajuste do salário mínimo e o encarecimento de açúcar, óleo e fermento também contribuíram para o aumento do pão francês. Somente o preço do trigo ficou 32% maior em 2013. O custo total dos insumos representa de 38% a 40% da produção do pão.

Mercadorias paradas

A falta de resolução da greve da Suframa preocupa o ramo de panificação. “O pessoal não chegou a um acordo. Ninguém sabe até onde vai essa greve”, disse Carlos Alberto Azevedo. Na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), realizada na última quarta-feira, o superintendente da autarquia, Thomaz Nogueira, anunciou que a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com uma ação na Justiça do Trabalho, pedindo a declaração da ilegalidade da greve.

O superintendente disse, ainda, que o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog) descartou qualquer negociação antes do fim da greve.

O Sindicato dos Funcionários da Suframa (Sindframa) impetrou ontem, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mandado de segurança preventivo solicitando a suspensão liminar dos efeitos do ato do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que ordena o desconto na folha de pagamento dos servidores pelos dias não trabalhados em razão da greve na autarquia. De acordo com o vice-presidente da entidade, Anderson Belchior, a medida visa proteger os servidores grevistas de mais um ato arbitrário do governo federal.