Governos investem em identidade própria a cada mandato

Especialistas avaliam que é importante imprimir uma marca visual com a qual a população se identifique.

Manaus – A recente mudança nas logomarcas governamentais, com a transição da bandeira símbolo do ex-governador e senador Eduardo Braga (PMDB) para o emblema abstrato do atual governador Omar Aziz (PMN), chama a atenção para a reafirmação da identidade do governante e da necessidade da identificação visual entre o novo logotipo e a população.

Na última semana, a bandeira do Amazonas, símbolo do governo Braga, deu lugar a uma figura verde, com detalhes em vermelho, e a palavra “Amazonas” em azul, que será a marca de Omar Aziz nos próximos anos. O novo símbolo tem seu ponto forte na característica abstrata, explica a chefe da Agência de Comunicação do Governo (Agecom), Lúcia Carla Gama.

“A logomarca é relativamente nova e começou a ser divulgada nesta semana. Foi fruto de pesquisa de agências de criação e publicidade e pesquisa popular. Especificamente, ela não tem forma definida: não é uma folha ou uma canoa. Ouvimos as pessoas e elas disseram que era preciso ter uma marca do Omar. As pessoas veem nesse símbolo o que elas querem ver”.

A atual logomarca da Prefeitura de Manaus foi lançada em abril do ano passado, com o slogan “Você merece uma cidade melhor” e traz uma flor com as cores vermelho, azul e amarelo. A pesquisa e a criação dos elementos e cores levaram três semanas.

Para a secretária municipal de Comunicação, Celes Borges, a logomarca é fundamental para que a população identifique os serviços que são prestados pela administração municipal. “A partir do momento em que se unifica a comunicação visual das obras e programas da administração, fica mais fácil para a população identificar a quem deve procurar em busca de tal benefício ou até mesmo a quem deve reclamar quando eles não funcionam”, explicou.

Criador da logomarca da Prefeitura, o designer Deco Salgado, que também é professor e coordenador do Curso de Tecnologia em Produção Publicitária do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), afirma que no processo de criação deste tipo de símbolo, a simplicidade e o minimalismo são fundamentais.

“Uma marca sem um discurso que a sustente terá enormes dificuldades de aceitação. Para sustentar, há um trabalho de comunicação para que ela seja vista, compreendida e apreendida. No aspecto visual, o símbolo não é assimilado com tanta facilidade, isso ocorre com o tempo”, ressalta o designer.

O sociólogo e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Arnóbio Bezerra, afirma que a identificação visual sempre foi uma estratégia importante na política. “Sempre ocorreu essa necessidade de o povo se identificar com o governante. É uma estratégia de quem está no comando”.

Segundo Arnóbio, a estratégia inclui identificação visual, além de fotos e jingles. “Quanto mais eficaz o símbolo, maior a lembrança que a população tem do governante. Há uma necessidade de o governante imprimir sua marca. Foi assim com o leme do Gilberto Mestrinho, o “A” do Amazonino e agora a marca de Omar”.

Para o professor, o ideal seria imprimir a marca do governo e não do governante. “Os governantes esquecem da simbologia do Estado, como os símbolos da bandeira, o hino. A consequência disso é que, em vez de usar o governo em si, a política fica identificada com a pessoa do governante. Ao invés de promover o Estado, promove o governante. É uma disputa que envolve grupos políticos e poder”.