Inacabada, Arena da Amazônia será inaugurada 34% mais cara que o previsto

Estádio será entregue neste domingo com camarotes e serviços de acabamento internos ainda incompletos e com custo final de R$ 669,5 milhões - 30% a mais que o previsto.

Manaus – Sobre os escombros do extinto Estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, em Manaus, a Arena da Amazônia foi construída, primordialmente, para receber quatro jogos da Copa do Mundo deste ano. Neste domingo, o palco para o Mundial vai inaugurar com o jogo entre Nacional e Remo-PA, pela Copa Verde, sem atingir os 99% pretendidos pela Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP-Copa).

“Estarão funcionando no domingo os setores do anel inferior (da arquibancada, onde ficarão os 20 mil torcedores), camarotes (VIP), quatro grandes lanchonetes no nível do pódio (arquibancada) e a zona mista (área da imprensa para entrevistas). A refrigeração está testada e estamos apenas limpando as tubulações. Nos últimos dias, fechamos os serviços de pintura, forro e equipamentos, como condicionadores de ar, compressores e bombas d’água”, explicou o coordenador da UGP-Copa, Miguel Capobiango, informando que faltam os acabamentos das estruturas internas, como dos 70 camarotes e áreas de estacionamento, pintura e mobiliário. 

Sobre os serviços de transmissão do jogo pelas TVs e rádios, Capobiango isentou o órgão de eventuais problemas. “A OI (operadora de telefonia e internet móvel) está instalando um link com fibra óptica para as emissoras, que devem trazer seus próprios equipamentos. Não é responsabilidade da Arena esse serviço”, afirmou.

Com 97,89% das obras concluídas, a Arena começou a ser erguida, conforme os padrões da Fifa, em março de 2010 pela construtora brasileira Andrade Gutierrez. Quatro anos depois, o novo estádio de Manaus ficou mais caro na reta final. Segundo o Ministério dos Esportes, o orçamento saltou de R$ 499,5 milhões do custo inicial para R$ 669,5 milhões (acréscimo de 34%). Além disso, a Arena ganhou mídia negativa na imprensa nacional com mortes de três operários por acidentes de trabalho.

O primeiro falecimento no canteiro de obras da Arena foi no dia 28 março de 2013. O pedreiro Raimundo Nonato Lima Costa, 49, morreu após sofrer traumatismo craniano ao cair de uma altura de cinco metros na tentativa de alcançar um andaime. Em dezembro deste mesmo ano, Marcleudo de Melo Ferreira, 22, também numa queda mortal, de 35 metros de altura da cobertura, não resistiu. O último acidente fatal foi registrado no dia 7 de fevereiro, quando o operário português Antônio José Pita Martins, 55, faleceu na desmontagem de um guindaste.

No quesito verba pública, a execução da obra do estádio de Manaus também passou por problemas sendo alvo constante do Tribunal de Contas da União (TCU) por superfaturamentos. Em 2012, o órgão federal identificou um sobrepreço de R$ 86 milhões no quesito ‘administração local’ e pediu ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a suspensão da segunda parcela do pagamento do empréstimo de R$ 400 milhões para a construção da Arena. Em agosto do mesmo ano, o governo do Estado reduziu o custo da praça esportiva de R$ 616 milhões para R$ 530 milhões sanando o imbróglio com o TCU.

Atrasos

Entre a data não-cumprida de 20 de dezembro do ano passado para finalizar os trabalhos na Arena da Amazônia e a decisão do governo do Estado, na semana retrasada, de inaugurar o estádio com um jogo oficial, dois adiamentos e várias especulações ocorreram. O governador Omar Aziz cogitou, inicialmente, realizar um amistoso com os dois primeiros clubes centenários do Amazonas, Nacional e Rio Negro. Ideia descartada pela UGP-Copa.

Outras alternativas para evento-teste de inauguração eram um jogo do Vasco, pela Copa do Brasil ou Campeonato Carioca, um quadrangular final com times da Série A do Amazonense, um amistoso com uma seleção do Mundial da Fifa que não jogará em Manaus e, inclusive, a Copa Verde, mas pela primeira fase da competição, em fevereiro. Até então, o único jogo confirmado pela UGP na Arena era o confronto entre Nacional e São Luiz-RS, pela jogo de volta da Copa do Brasil, no dia 9 de abril.

Sem recordes de público no novo estádio

Sepultado geograficamente pela Arena da Amazônia, o Estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, também apelidado pela crônica esportiva de Colosso do Norte e ‘Tartarugão’, ao longo dos 40 anos de existência passou por duas grandes inaugurações em um intervalo de 25 anos e diversas reformas. O extinto santuário do futebol amazonense também recebeu jogos históricos com recordes de público e partidas da Seleção Brasileira.

O Vivaldão durou 12 anos para ser construído, entre 1958, ano de lançamento da pedra fundamental, e 1970. O antigo estádio recebeu logo no jogo inaugural a Seleção Brasileira, no dia 5 de abril de 1970. Na festiva ocasião, os times A e B do Brasil golearam pelo mesmo placar de 4 a 1 a Seleção do Amazonas, que também entrou em campo com os titulares e reservas.

Vinte cinco anos depois, a Seleção Brasileira regressou ao Vivaldo Lima para a reinauguração do estádio, que passou por um processo de revitalização, num jogo amistoso diante da Colômbia, no dia 20 de dezembro de 1995. Foi mais uma vitória dos ‘canarinhos’ por 3 a 1, que registrou o quinto maior número de pagantes da história do estádio (45.l74 pessoas). A Seleção, inclusive, nunca perdeu no Vivaldão e disputou mais dois jogos não-oficiais, contra a Croácia (1 a 1), em 22 de maio de 1996, e Bósnia (1 a 0), no dia 18 de dezembro de 1996. O único jogo oficial da Seleção no Colosso do Norte ocorreu nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, em 10 de setembro de 2003, na vitória por 1 a 0 sobre o Equador.

Curiosamente, dos cinco maiores jogos recordistas de público do Vivaldão apenas um foi pela Seleção Brasileira. Os demais feitos pertencem a dois clubes amazonenses. O famoso amistoso internacional, em 9 março de 1980, entre Fast e Cosmos (EUA), que terminou empatado em 0 a 0, registrou 56.950 pagantes.

Além do Rolo Compressor, o São Raimundo protagonizou lotação máxima no Vivaldo Lima em três jogos em 1999. Pela final do Estadual, 47.188 pagantes na vitória por 3 a 1 sobre o Rio Negro. Na Copa Norte, 47.211 pessoas na derrota por 2 a 1 para o Sampaio Corrêa-MA. Já na Terceirona, 48.992 pagantes e 55.185 presentes no empate em 0 a 0 com o Fluminense-RJ. Com a capacidade para 44 mil pessoas, a Arena da Amazônia não baterá os recordes de público do Vivaldão.