Lúcia Antony vê irregularidades no Bolsa Universidade

Durante discurso na tribuna da CMM, a vereadora disse ter tido acesso à folha cadastral de pessoas beneficiadas pelo programa e, de acordo com ela, alguns dados como renda familiar provam que há fraude.

Manaus – A vereadora Lúcia Antony (PCdoB) acusou, nesta segunda-feira (9), o programa Bolsa Universidade, da Prefeitura de Manaus, de cometer irregularidades e de não atender a quem realmente precisa, os estudantes de baixa renda da cidade. De acordo com a parlamentar, há indícios que, em sua avaliação, mostram problemas no programa municipal.

Durante discurso na tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM), a vereadora disse ter tido acesso à folha cadastral de pessoas beneficiadas pelo programa e, de acordo com ela, alguns dados – como renda familiar – provam que há fraude. Ela citou casos de pessoas beneficiadas que alegam, nos cadastros do programa, ter R$ 200 como renda mensal.

“Mesmo que essas pessoas tenham casa própria, elas têm que pagar água, luz e telefone. Como elas sobreviveriam com 200 reais? Há pessoas que não precisam, que não cumprem os critérios do programa e estão sendo beneficiadas”, disse a vereadora, que apresentou requerimento pedindo a presença dos representantes do programa na Câmara para explicar a questão.

Programa já foi denunciado

Não é a primeira vez que o programa é alvo de denúncias. Em março deste ano, o secretário-executivo do programa Bolsa Universidade, Rony Siqueira, veio a público para desmentir acusações semelhantes. Na ocasião, o representante do programa disse que todos os casos apontados como irregulares seriam investigados.

No total, foram sete denúcias – cada um referente a um beneficiário do programa – que tratavam de casos em que a pessoa beneficiada não atendia aos critérios do programa, não se encaixando no perfil sócio-econômico. Além disso, havia suspeitas de que as pessoas citadas eram parentes de políticos do Amazonas.

Rony Siqueira também afirmou, na época, que o programa Bolsa Universidade possui convênio com o Processamento de Dados da Amazônia (Prodam), o que possibilita verificar automaticamente a condição financeira dos candidatos.  O presidente da CMM, o vereador Isaac Tayah (PTB), chegou a acionar o Ministério Público do Estado (MPE) para apurar o caso.