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Egito pós-Mubarak enfrenta grave crise econômica

Com uma taxa de crescimento em torno de 1% a 2%, contra 5 a 7% em anos anteriores, o governo espera do FMI e de outros organismos financiadores uma ajuda considerada crucial para evitar uma explosão social.

CAIRO - A degradação da economia egípcia constitui, um ano depois da queda de Hosni Mubarak, uma séria ameaça para a transição de poder do país mais povoado do mundo árabe, dizem economistas.

Com uma taxa de crescimento em torno de 1% a 2%, contra 5 a 7% em anos anteriores, o governo espera do Fundo Monetário Internacional e de outros organismos financiadores uma ajuda considerada crucial para evitar uma explosão social.

"Um ano depois da revolução, a economia se encontra em estado anárquico, fora de controle", estima Salah Goda, diretor do Centro de Investigações Econômicas do Cairo.

A renda do vital setor do turismo apresentou em 2011 uma queda de 30% (4 bilhões de dólares), segundo estatísticas oficiais, consideradas por muitos operadores como inferiores à realidade.

Com um mercado interno de 82 milhões de habitantes, o Egito tem tido suas notas regularmente reduzidas pelas agências de classificação - a nota da Standard and Poor's passou de B+ para B na sexta-feira.

No centro das preocupações estão as reservas de divisas do banco central, que passaram de 36 bilhões de dólares em janeiro de 2011 para 16,3 bilhões um ano mais tarde.

Essa diminuição, somada a um déficit orçamentário de 8,7% do PIB - ou 10% como querem alguns economistas - tem gerado temores de que o país já não possa pagar suas importações nem manter seu custoso sistema de subvenções dos produtos básicos.

O dispositivo permite manter muito baixos os preços da gasolina, o pão e o gás doméstico, e assim evitar uma explosão social em um país onde 40% da população sobrevive com dois dólares ou menos por dia.

Dificuldades de abastecimento de gasolina em janeiro provocaram uma verdadeira avalanche de pessoas aos postos, em meio a rumores de escassez e alta dos preços.

Reformar esse sistema, no entanto, pode deixar o governo designado pelo exército em uma situação perigosa.

"Mudar a política de subvenções dos produtos alimentícios, gasolina ou gás pode provocar um desastre político", diz Hamdi Abdelazeem, economista da Academia Sadat.

Após adiar por diversas vezes, o país decidiu dirigir-se para o FMI para solicitar um empréstimo de 3,2 bilhões de dólares e outros tantos ao Banco Mundial.

O ministro das Finanças, Momtaz Said, avaliou na sexta-feira em 11 bilhões de dólares em dois anos as necessidades para sustentar as reformas.

O primeiro-ministro, Kamal Al Ganzuri, por sua vez, já reconheceu que os bilhões em ajuda prometidos pelas monarquias petrolíferas do Golfo são apenas miragens.

Muitos egípcios temem também que a generosidade dos europeus seja transformada em proveito.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse temer na quinta-feira tensões em torno da ajuda internacional ao Egito, cujas "reservas possuem níveis baixos" e onde as exigências de transparência e democratização têm sido ignoradas.

"As pessoas têm pedido um sistema conveniente e houve a destituição de (Hosni) Moubarak, mas continuamos vendo a participação dos militares que formavam parte do antigo regime", disse.

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