Polícia Federal investiga pessoas ligadas à família Câmara

No início de setembro, a PF apreendeu a quantia de R$ 472 mil, uma suposta doação a Rede Boas Novas. Nesta quarta, 34 mandados de busca e apreensão foram expedidos.

Manaus – A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (22), no Acre e Amazonas, a operação Eleições Livres, cumprindo sete mandados de condução coercitiva e 34 mandados de busca e apreensão em residências de pessoas relacionadas a candidatos a deputados nos dois Estados. Todos os mandados foram emitidos pela Justiça Eleitoral. As informações são do Portal Terra.

Por força do mandado de condução coercitiva, a missionária Antonia Lúcia Câmara, candidata a deputada federal pelo PSC, prestou depoimento na sede da Polícia Federal, em Rio Branco (AC). Antonia Lúcia é esposa do deputado federal Silas Câmara, candidato a reeleição no Amazonas.

No começo do mês, a PF apreendeu em poder de um homem cujo nome não foi revelado, a quantia de R$ 472 mil. Segundo a PF, o valor seria supostamente doado à Rede Boas Novas de Rádio e Televisão, do Acre e Amazonas. A empresa de comunicação pertence à família da missionária, que teve que se afastar do cargo de diretora por causa da candidatura.

Sócia majoritária da empresa, Milena Ramos Câmara, filha de Antonia Lúcia, negou que os R$ 472 mil fossem destinados à empresa, para favorecer a mãe dela.

A sede da Polícia Federal no Acre permanece movimentada. Os mandados da Justiça Eleitoral foram executados em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Xapuri, no Acre, e em Guajará, no Amazonas.

Os candidatos estão sendo interrogados e indiciados pela prática de distribuição de dentaduras, óculos, motores e combustíveis (que resultou na prisão em flagrante de três pessoas em julho), elaboração de lista com aproximadamente 2,2 mil eleitores, o que caracteriza o crime de corrupção eleitoral tipificado no artigo 299 do Código Eleitoral.

Também estão sendo interrogados e indiciados pela movimentação financeira clandestina dos R$ 472 mil, oriundos de Manaus (AM), declaração falsa prestada ao Tribunal Regional Eleitoral quanto ao valor dos bens que possuem, utilização de recursos de empresa de comunicação em campanha eleitoral, inclusive deslocando dois empregados da empresa para trabalhar na campanha, prática abarcada pelo artigo 350 do Código Eleitoral.

Os candidatos também terão que se explicar sobre a destruição de provas e indução de testemunhas a mentir em depoimento, para se furtar da ação de interesse público, falsificação de documentos, uso de bem público em campanha eleitoral e formação de quadrilha para prática de tais ilícitos.

A Polícia Federal está colhendo os depoimentos dos candidatos e demais envolvidos para subsidiar os inquéritos e registrar a defesa dos mesmos. Após o indigitamento, todos foram liberados e os inquéritos serão apresentados ao Ministério Público Eleitoral, a fim de que moça ações penais e eleitorais.

Durante a Operação Eleições Livres foram apreendidos motores com rabeta, bicicletas, motos, computadores, blocos de notas de consumo em postos de combustível, supermercados e construtoras.