Prefeitura nega falta de vagas em cemitérios e sugere criação de ossuários

O diretor do Departamento de Cemitérios da Prefeitura de Manaus, Sidney Barroso Wanderley, disse que os cemitérios da cidade suportam o fluxo pelos próximos dez anos.

Manaus – O diretor do Departamento de Cemitérios da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), Sidney Barroso Wanderley, disse, nesta sexta-feira (18), durante audiência pública sobre a situação dos cemitérios de Manaus, que nunca houve risco de “apagão funerário” na capital do Amazonas. De acordo com ele, o cenário atual dos cemitérios públicos comporta o fluxo de enterros e sepultamentos pelos próximos dez anos.

A audiência pública sobre o assunto aconteceu no auditório da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e tinha como objetivo discutir o atual capacidade dos seis cemitérios públicos. De acordo com Barroso, apesar de não existir risco de “apagão funerário”, o poder público já considera a possibilidade de construir um novo cemitério na cidade, embora tal fato esteja apenas em estudo.

Apesar disso, Sidney disse que a construção de novos cemitérios não é a solução. “Manaus precisa sim de cemitérios, mas a solução não é criar um novo cemitério. A solução é retirar os restos mortais e depositar em ossuários”, disse.

Ossuários

Em Manaus, existe um único ossuário, que fica localizado dentro do cemitério da Aparecida. O local possui duas salas, com 50 “lóculos”, comportando 150 sacos – o que totaliza 15 mil espaços. O diretor do Departamento de Cemitérios diz, porém, que nenhum dos cemitérios comporta a criação de novos ossuários.

A solução seria a criação e um novo ossuário, em espaço próprio. “Já existe projeto para um novo ossuário, com capacidade quatro vezes maior que o atual”, disse, sem dar mais detalhes. Outro problema atual dos cemitérios, de acordo com ele, é o elevado índice de “abandono” das sepulturas. Das 120 mil sepulturas do cemitério de Aparecida, cerca de 30% estão abandonadas.

De acordo com ele, a Prefeitura vai acionar os familiares responsáveis pelas sepulturas nesta situação para a efetivar a regularização. Quem não providenciar a regularização das sepulturas junto ao município, terá os restos mortais dos familiares removidos dos locais e separados em ossuários.

Gastos públicos

Outro argumento de Sidney Barroso em relação à criação de ossuários como opção no lugar da construção de novos cemitérios é o alto custo da manutenção dos espaços. De acordo com ele, a Prefeitura gasta, todos os anos, o valor médio de R$ 5 milhões nos serviços de manutenção com os cemitérios da cidade, embora a arrecadação para o setor seja de apenas R$ 290 mil.

Representantes do Sindicato das Empresas Funerárias do Estado do Amazonas (Sifeam) sugeriram a ideia de se formar parcerias público-privadas para a manutenção de cemitérios, assim como a construção de cemitérios 100% privados.

“Fortaleza, por exemplo, tem oito cemitérios particulares”, disse o presidente do sindicato, Manoel Cunha Viana. Outra sugestão do presidente do Sifeam é a construção de “cemitérios verticais”.

Cemitérios verticais

“Também em Fortaleza há um cemitério vertical de 12 andares, o maior da região Nordeste. Em Santos, já há um de 20 andares, todos funcionando no sistema de gavetas”, informou. Para ele, este tipo de espaço para abrigar os restos mortais são os mais adequados para a situação de Manaus.

O vereador Waldemir José, que junto com a colega de Câmara Socorro Sampaio, presidente da Comissão que chamou a audiência pública, questionou a sugestão da formação de parcerias público-privadas. Para ele, a manutenção de cemitérios se enquadra em serviços que, na opinião do parlamentar, precisam ser de competência municipal.

Crematório

Outra sugestão discutida é a criação de crematórios na cidade, o que descartaria a criação de novos espaços físicos como cemitérios e ossuários. Sidney Barrosso disse que já estudos na esfera municipal para a criação de um serviço crematório, mas, de acordo com ele, o novo serviço é de alto custo.

“Já tem estudo sobre isso, mas é caro. E ainda tem a questão cultual, pois nem todos desejam usar o serviço. Em Curitiba há crematório, mas apenas 2% da população se utiliza do serviço”, informou.