Festa do AM poderá ser reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro

Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, na próxima semana, pode tornar a manifestação de boi-bumbá do Médio Amazonas e Parintins patrimônio cultural do Brasil

Redacao / plus@diarioam.com.br

Manaus – A grande festa do Amazonas terá ainda mais motivos para celebrar. Isso porque o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins — manifestação cultural de caráter festivo, que tem a figura do boi como seu elemento principal e envolve uma série de danças, músicas, drama e enredo — estará em análise, na próxima reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que acontecerá em Belém (PA), na próxima semana — dias 8 e 9 —, e poderá ser reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil.

Os modos de brincar o boi são diferentes, dependendo da região do País. Em cada contexto, há variações e denominações próprias, além de ocorrer em distintas épocas do ano. Nessa região, ele ocorre com mais frequência durante os festejos juninos dos santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Bois de Terreiro, de Rua e de Arena dessa região do Estado serão analisados nessa reunião, em Belém (PA). Foto: Raimundo Valentim/Acervo DA

Bois do Médio Amazonas e Parintins

O folguedo ou a brincadeira do boi teria chegado à Amazônia por meio das missões jesuíticas, em seu esforço de catequização ao longo do século 17, retomando tradições presentes no Mediterrâneo europeu e agregando influências indígenas e negras.

Já no período de migração para a Região Amazônica, por conta da exploração das seringueiras e da produção da borracha, essas manifestações da brincadeira do boi também receberam referências de outras regiões do Brasil, principalmente nordestinas.

Assim, os bois do Médio Amazonas e Parintins se caracterizam de formas diferentes. O Boi de Terreiro, por exemplo, apresenta o tema de morte e ressurreição do animal e traz, em sua estrutura, um ritual em quatro momentos: rito de chegada, de evolução, de despedida e, por último, rito de matança. Ele se assemelha ao Boi de Rua, que, por sua vez, acontece no espaço urbano e sem lugar fixo. Este é realizado em interação com as pessoas que ali passam e com os moradores, que oferecem ao dono do boi e aos brincantes algum tipo de agrado.

Derivado dos Festivais Folclóricos da região, surge o chamado Boi de Arena. Esta modalidade do folguedo se estabeleceu de forma especial na cidade de Parintins (AM) e apresenta características muito específicas.

O Festival Folclórico de Parintins, referência dos estudos sobre o Boi de Arena, ocorre anualmente na última semana de junho. Durante três noites, dois grupos de boi-bumbá, o Garantido e o Caprichoso, se revezam em apresentações de caráter competitivo, no espaço conhecido como Bumbódromo. O local, assim chamado em alusão ao Sambódromo do Rio de Janeiro (RJ), se pinta nas cores de cada bumbá e milhares de pessoas se dividem entre as duas arquibancadas — uma vermelha, do Garantido; e outra azul, do Caprichoso (enquanto um corpo de jurados avalia a performance dos grupos e decide pelo grande campeão).

Caso seja reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, esse será o 12º bem inscrito no Livro de Registro das Celebrações. Na mesma reunião, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural poderá reconhecer, ainda, outros dois bens do Norte: um geoglifo, do Acre, e o Marabaixo, no Amapá.