Maturidade marca ‘volta’ ao palco

Ex-Cia. Cacos de Teatro, companhia UTC-4 quer turnê nacional para o espetáculo ‘Marília Gabriela Não Vai Mais Morrer Sozinha’, neste ano

Bruno Mazieri / plus@diarioam.com.br

Manaus – De volta com o espetáculo ‘Marília Gabriela Não Vai Mais Morrer Sozinha’, dirigido pelo carioca Fabiano Freitas, após um hiato de, aproximadamente, quatro anos, a Cia. Cacos de Teatro mudou até de nome para comemorar seus dez anos de criação. Sob as bênçãos de Dionisio — deus do Teatro —, o coletivo local agora se chama UTC-4 e quer turnê pelo País.

Em Manaus, a última apresentação da temporada acontecerá neste sábado, 19, às 19h, no Teatro da Instalação (Foto: Ingrid Anne/Divulgação)

“Acredito que, nessa década, amadurecemos em diversos sentidos, principalmente nos quesitos profissional e pessoal. No período em que não fizemos atividades juntos, alguns de nós foram estudar em lugares como Paris (França), Inglaterra e São Paulo. De alguma forma, estávamos em processo continuado de amadurecimento e, também, de ressignificação das nossas técnicas, para que pudéssemos voltar com outro vigor. Amadurecemos o coletivo, tanto na qualidade técnica, quanto intelectual, de pensamento e estético”, explica Dyego Monnzaho, diretor da UTC-4.

De acordo com ele, a troca de nome se deu pelo fato de que Cacos “não dava mais conta” do que estava sendo feito. “Apesar da trajetória linda que tivemos e que nos orgulhamos, mas chegou um determinado momento que o que produzíamos não estava mais compatível com aquele nome. Ele representava algum tipo de signo que não queríamos ou que nos levava para uma ideia que não estávamos afim. Nesse momento de pausa e retorno, quisemos transformar tudo, não só as pessoas, mas também a nossa pegada estética. Com isso, um outro nome era significativo para darmos o ‘start’ nesse novo momento”, comenta.

Ao longo dessa trajetória, o diretor do coletivo afirma que, de alguma forma, os processos criativos desenvolvidos pelo grupo tiveram uma contribuição para a cena local. “Sempre buscamos temas provocativos, linguagens e tipos de pesquisas diferentes do que se trabalhava na cidade. Buscamos investigar um outro tipo de teatro e foram colocadas para discussão a performance e a dança, o teatro pós-dramático, conceitos que já eram falados no Brasil, mas que, em Manaus, tinha um certo ineditismo. Fomos pioneiros na investigação desses temas e isso, de alguma forma, gerou uma contribuição positiva”, diz ele.

Com uma série de prêmios conquistados, o grupo teatral acredita que essas vitórias se devem a vários fatores, mas, principalmente, à dedicação e ao processo de pesquisa. “Nunca fomos um grupo que se juntava para fazer uma peça, sempre fomos um coletivo de artistas que queriam investigar, pesquisar e que resultava em um produto teatral. Essa profundidade e a concretude dos nossos estudos são os tons que ajudaram a conquistar diversos prêmios, a circular por mais de 30 cidades brasileiras e a participar de festivais nacionais e internacionais”, ressalta.

Celebração

E, para comemorar os dez anos, a UTC-4 está em cartaz com o espetáculo ‘Marília Gabriela Não Vai Mais Morrer Sozinha’, parceria com o premiado diretor Fabiano Freitas. “Esse produto é a nossa maior comemoração. Ele é tudo o que queríamos falar, nesses últimos tempos e de maneira bonita. Agora, queremos levar essa peça pelo País e fazer turnês. Pretendemos passar o resto do ano em circulação e fazer esse espetáculo ser visto”, finaliza Monnzaho.

Em Manaus, a última apresentação da temporada acontecerá neste sábado, 19, às 19h, no Teatro da Instalação (Rua Frei José dos Inocentes, s/n, Centro).