Um grito de alerta em ‘The Post’

Longa dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Meryl Streep e Tom Hanks coloca em xeque, mais uma vez, a importância da liberdade de imprensa e sua função diante da sociedade

Bruno Mazieri / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Em tempos de discussões sobre a utópica liberdade de imprensa e a veracidade das notícias publicadas na internet, Steven Spielberg dirige com maestria o longa ‘The Post – A Guerra Secreta’ (indicado a dois Oscar), que mostra a difícil decisão do jornal The Washington Post de publicar uma matéria sobre uma série de documentos secretos referentes à participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75).

Tendo em seu elenco dois ‘oscarizados’ – Meryl Streep e Tom Hanks –, o filme retrata a fase da guerra vivida durante o governo do presidente Nixon e as controversas decisões tomadas por ele e seus antecessores, incluindo o até hoje idolatrado John F. Kennedy. De forma ‘seca’, ‘The Post’ serve muito mais do que um revival de uma época, mas sim, de um alerta para o atual momento em que se encontra a imprensa mundial. A imprensa de verdade, digo.

Streep e Hanks conduzem trama que funciona como um alerta para o atual momento em que se encontra a imprensa mundial (Foto: Divulgação)

Se ‘Spotlight – Segredos Revelados’ (2015) já havia debatido o rumo do jornalismo e se tornado assunto em inúmeras rodas de conversa, com o filme de Spielberg não poderia ser diferente. Apesar das redações atuais serem completamente diferentes das daquela época (máquinas de datilografias substituídas por computadores, jornais impressos sendo substituídos pelo on-line e profissionais gabaritados para ocupar uma função sendo cada vez mais escassos), os compromissos continuam sendo os mesmos ou pelo menos deveriam.

Um dos momentos mais densos e tensos, por assim dizer, é a decisão da publicação da matéria pelo Post referente aos documentos sobre guerra, já que o New York Times, responsável pelas primeiras publicações, havia sido proibido pela Justiça americana de continuar ‘falando’ sobre o assunto.

Ali, naquele momento, é visível o nível incontestável da atuação tanto de Meryl quanto de Hanks. Em uma discussão acalorada entre os dois e uma série de representantes do jornal, Kat Graham (vivida por Meryl) decide que tudo deve ser publicado, mesmo que isso possa acarretar na sua prisão.

Muito mais do que um serviço à importância da liberdade de imprensa, ‘The Post’ mostra, ainda, o papel ao qual a mulher era ‘obrigado’ a ocupar, na década de 1970. Isto porque Kat só se tornou, de fato, dona do jornal quando seu marido cometeu o suicídio. Até então, a empresa, que era de seu pai, tinha sido passada para as mãos do marido dela. Com comentários um tanto quanto ofensivos, Kat passa o filme inteiro cercada de homens que duvidam do seu poder de comando e, no final, eles claramente estavam errados sobre sua competência.

‘The Post’ é um longa que deve ser visto não apenas pelos estudantes de jornalismo, mas também pelos colegas de profissão já formados e pela sociedade em geral. É uma aula na tela do cinema e um grito de alerta sobre a liberdade de imprensa e os caminhos que devem ser seguidos para um futuro que já está próximo. Afinal de contas, como disse a Corte americana ao permitir as publicações sobre o caso: “A imprensa deve servir aos governados, não aos governantes



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