Companhia de Manaus fomenta permanência de bailarinos na arte com bolsa-auxílio

Segundo a diretora da Companhia de Dança Encontro das Águas, Juliana Borges, projeto se tornou possível a partir da ajuda de um 'mecenas'

Bruno Mazieri / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Desde fevereiro deste ano, a Companhia de Dança Encontro das Águas colocou em prática o projeto ‘Jovem Profissional da Dança’, que busca incentivar a permanência de bailarinos no universo da arte, por meio de uma bolsa-auxílio. “Sabemos que depois dos 18 anos, muitos profissionais param de receber apoio de seus familiares, tendo que trabalhar em outras áreas. Muitos acabam desistindo da dança. E para incentivar a permanência desses bailarinos, acabei criando o projeto”, explicou a diretora da companhia, Juliana Borges.

Nesta primeira edição, seis bailarinas são beneficiadas com uma bolsa-auxílio de R$ 500, por mês, que é possível ser paga, pois a companhia conta com a ajuda de um mecenas, espécie de ‘patrocinador’ das artes. “Somente três companhias em Manaus remuneram regularmente bailarinos e todas elas estão ligadas à Secretaria de Estado de Cultura (Sec). O valor da bolsa é para ajudar a custear material para dança, transporte ou algo mais que elas precisem”, explicou Juliana.

A diretora destacou que sempre “foi muito difícil manter um grupo de dança e que o incentivo se faz necessário”. “Precisávamos de um ‘sustento’ mais sólido justamente pela dificuldade de manter um grupo. Fazíamos a estreia de um espetáculo e, logo em seguida, os bailarinos perdiam o interesse, não tinham motivação. E o projeto vem justamente ao encontro disso”, contou.

Os ensaios são realizados na escola de balé da companhia, no bairro Parque Dez, zona centro-sul de Manaus, as segundas, terças, quintas e sextas, das 9h às 13h, e aos sábados, na parte da noite. “As seis participantes do projeto possuem entre 19 e 24 anos e se dedicam a dança durante quatro horas diárias. Para elas, é uma grande oportunidade, pois muitas tinham o sonho de serem remuneradas por uma companhia”, revelou Juliana.

Desde o início do projeto, a companhia já realizou uma série de apresentações. Dentre eles está ‘O Cheiro do Nordeste’, que estreou em março deste ano, em uma escola pública da zona leste de Manaus e ficou em cartaz durante três finais de semana, no Teatro da Instalação, Centro. “Além disso, apresentamos trechos de ‘Um Fenômeno na Amazônia’, ‘O Complexo de Édipo’, ‘Fase do Amor’ e também de ‘O Cheiro’, dentro da montagem ‘Quatro Espetáculos em Um’”, lembrou a diretora da Encontro das Águas.

“Na próxima segunda e terça-feira, dias 16 e 17, às 19h, no Teatro Amazonas, vamos reapresentar ‘O Cheiro do Nordeste’, dentro da programação do ‘Canção da Mata’, a convite do Serviço Social do Comércio (Sesc) e no dia 27, apresentaremos ‘O Complexo de Édipo’, no Festival 5 Minutos, no Teatro Amazonas. Para finalizar o projeto, no início de agosto, reapresentaremos ‘Joias de Tchaikovsky’ ”, adiantou.

Juliana Borges já está de olho na segunda edição do ‘Jovem Profissional da Dança’ que será realizado de janeiro a abril de 2019. “Para esta segunda edição, pretendo aumentar o número de bailarinas, mesmo com a permanência de algumas que estão participando desta edição. Quero realizar cinco edições e, ao final, ter uma companhia efetiva, que possa remunerar todos os bailarinos”, finalizou.