O pecado da gula

Especialista alerta para os perigos do vício de comer em excesso e dá dicas de como contorná-lo

Gabriel Machado/plus@diarioam.com.br

Manaus- A busca pelo corpo dos sonhos tem se instaurado na vida de muitos brasileiros: dietas ‘malucas’, procedimentos estéticos e uma boa dose de atividades físicas, tudo para alcançar as tão desejadas qualidade de vida e silhueta fit. Neste trajeto, no entanto, as pessoas costumam esbarrar em inúmeros obstáculos — dentre eles, o desejo, quase que insaciável, de comer.

Na busca do corpo dos sonhos, as pessoas costumam esbarrar em inúmeros obstáculos — dentre eles, o desejo, quase que insaciável, de comer. (Foto: Reprodução)

Neste embate, em particular, a linha que separa a fome da gula se torna quase que ambígua. Afinal, como diferenciá-las? “A gula é o desejo insaciável, além do necessário, por comida. Já a fome é a sensação fisiológica pela qual o corpo percebe a necessidade de alimento para manter suas atividades”, explica a endocrinologista e metabologista Caroline Coimbra, em entrevista à revista PLUS deste domingo.

“Comer demais, de vez em quando, é um problema que a maioria das pessoas enfrenta, principalmente, nos finais de semana e eventos especiais. Mas, há aqueles que se descontrolam sempre, mesmo sem fome, e acabam passando mal ou se sentindo culpados”, acrescenta.

De acordo com a especialista, em se tratando da gula, os cuidados para evitar os excessos podem ser comportamentais (mudança de estilo de vida, reeducação alimentar e prática de exercícios) ou farmacológicos (medicamentos antidepressivos e indutores de saciedade).

“Muitos indivíduos compulsivos sofrem, também, de depressão, ansiedade e outros transtornos psíquicos”, associa Caroline. Para este tipo de pacientes, ela recomenda atividades físicas. “Os exercícios diminuem os níveis de depressão e ansiedade com a liberação de endorfina (hormônio que dá a sensação de prazer), que substitui a serotonina liberada pela comida, cujo efeito é semelhante”.

Problemas de saúde

Caroline Coimbra afirma que o ato de comer em excesso gera conflitos psicológicos e, com isso, o paciente acaba ganhando peso. “Setenta e cinco por cento das pessoas com esse distúrbio químico nos mecanismos da saciedade ganham muito peso, pois consomem mais calorias do que precisam, por dia, principalmente na forma de doces e gorduras”, completa.

Por conta da gula, então, a pessoa se vê sujeita a diversos problemas de saúde. “Estes indivíduos têm mais propensão a desenvolver problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, entre outros”, ilustra.

Para evitar esses distúrbios, a endocrinologista e metabologista indica alguns cuidados que as pessoas devem ter na hora de se alimentar. “Para se estabelecer um plano de mudanças comportamentais, é necessário, inicialmente, estabelecer os hábitos alimentares de cada paciente. Isto requer que cada indivíduo monitore seu próprio comportamento alimentar, através do registro do tipo de alimento que estão habituados a ingerir, os locais onde são consumidos, a frequência com que eles são ingeridos e a condição emocional no momento do consumo”, diz.

“Através da análise destes registros, os próprios pacientes são capazes de identificar os problemas passíveis de serem corrigidos, particularmente, no que diz respeito aos locais e períodos do dia que facilitam a maior ingestão de alimentos ou de calorias”.

Outro fator importante no combate à gula é o suporte social. “É fundamental que familiares ou amigos reforcem, de forma positiva, as mudanças de comportamento que o paciente está tentando implementar. Para alguns cônjuges, a perda de peso e a aquisição de melhor aparência do outro pode ser um fato ameaçador. Tal fato deve ser identificado logo no início e, se possível, corrigido para não comprometer o sucesso do tratamento”, alerta Caroline.

“Os familiares e amigos são, também, importantes no sentido de auxiliar o paciente a se comportar em situações difíceis como festas e jantares, onde há a necessidade de dizer ‘não’ para os alimentos oferecidos, muitas vezes, de forma insistente”, encerra.