Pais optam por trabalhos flexíveis para acompanhar o crescimento dos filhos

Homenageados do dia abrem mão de sonhos profissionais para acompanhar de perto o crescimento dos herdeiros. O resultado são histórias lindas para se compartilhar neste domingo

Gabriel Machado/redacao@diarioam.com.br

Antônio e a família. À direita, Thauan e o filho e Davino e as filhas (Foto: Acervo Pessoal)

Manaus – Trabalhar de casa ou ocupar-se somente meio período e ser bem remunerado por isso se tornou uma utopia dos dias atuais. No entanto, quando filho entra em cena, questões como salário e jornada de trabalho perdem força e dão espaço à vontade de querer passar mais tempo com a família e, consequentemente, ser mais presente na criação dos pequenos. Neste domingo de Dia dos Pais, a Revista Plus elencou alguns homenageados que se disporam a abrir mão de sonhos profissionais para acompanhar de perto o crescimento dos herdeiros.

Estreante na data, o advogado Thauan Lopes, 28, deparou-se com esse dilema bem antes do pequeno Thauan Filho nascer, há cerca de dois meses. Com uma jornada de trabalho que muitas vezes se estendia além do estipulado por contrato, o advogado tomou a decisão de abandonar o emprego em uma empresa de Manaus para acompanhar a reta final de gestação da esposa, a administradora Klarissa Mello, 27.

“Recebi a proposta para trabalhar nessa empresa em março deste ano e aceitei, pois era uma oferta boa. Ao mesmo tempo, levava a advocacia em segundo plano. Então, até junho (mês em que o filho nasceu), foram três longos e cansativos meses”, disse Thauan, em entrevista à Plus.

Ele lembra que, muitas vezes, tinha hora somente para entrar no novo emprego. “O horário era bem complicado. Havia semanas em que meu serviço se estendia pela noite. E isso foi logo no último trimestre da gestação, então ficava bastante preocupado com a minha esposa em casa”, completou o advogado.

Quando Thauan Filho nasceu, o papai de primeira viagem viu que não valeria a pena ficar muito tempo longe de Klarissa e do bebê. “Queria acompanhar o crescimento do meu filho”, frisou.

Para compor a renda mensal da família, Thauan se divide entre a advocacia e a administração da empresa que criou com a esposa. “Apesar de ter duas atividades, meu horário é bem flexível e tenho tempo de sobra para ficar com meu filho e ajudar minha mulher com as despesas. Esses primeiros dois meses estão sendo demais. É maravilhoso poder acompanhar o crescimento do meu filho tão próximo. Ele mudou completamente a minha vida. A cada dia, acordo mais motivado a ser uma pessoa melhor para ele”, ressaltou o advogado.

Papai canguru

Quando o primeiro filho do pastor Davino Elpidio do Nascimento Filho, 54, nasceu, a decisão de abandonar o emprego foi a mais simples que ele e a esposa, a então professora de música Maria Iondi, 51, conseguiram definir. “Foi bastante fácil, na verdade. Na época, minha mulher ganhava mais que eu, então, não teve muita discussão. Ela vinha almoçar em casa, amamentava o Davino (Neto, 20, primogênito do casal) e deixava algumas mamadeiras cheias de leite materno para eu alimentá-lo depois. Não me arrependo nem um pouco de ter abandonado o meu emprego”, contou o pastor.

Davino Filho só retornou ao serviço quando as filhas Ana Beatriz, 18, e Ana Sofia, 12, nasceram. Apesar de ter acompanhado de perto os cuidados com o herdeiro, ele possui mais afinidade com as caçulas. “Ele é menos carinhosos e eu gosto muito de beijo e abraço. Acho que por isso elas são tão apegadas a mim. Se a minha vida fosse apenas viver para os meus filhos, eu largaria tudo para ficar com eles”, revelou.

A afeição por Davino Neto, Ana Beatriz e Ana Sofia é uma característica visível para quem conhece a família do pastor. Durante a gestação da caçula, ele passou por uma verdadeira prova de fogo. “Os médicos disseram que a gravidez era de risco e que minha mulher e minha filha poderiam morrer no parto e que, caso sobrevivesse, a Ana Sofia viveria em estado vegetativo”, disse o pastor.

Mesmo com as circunstâncias contra, Davino Filho optou por seguir com a gestação (sem mencionar os perigos para a esposa). “Minha filha mais nova nasceu de seis meses e pesava apenas 900g. Ela cabia na palma da minha mão”, acrescentou.

Quando Ana Sofia estava na incubadora, as normas do hospital em que a pequena estava internada permitia apenas que as mães carregassem seus bebês prematuros – os médicos chamam esta prática de ‘mamãe canguru’. “Quando cheguei para pegar minha filha no colo, fui barrado. Eles disseram que os pais não tinham tempo para isso, pois precisavam ir trabalhar. Eu me revoltei, porque a Ana Sofia precisava de mim tanto quanto da mãe. Depois de muita discussão, deixaram que eu fosse o primeiro ‘papai canguru’”, destacou o pastor.

Aposentadoria precoce

Depois de 35 anos prestando serviços à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros do Amazonas, o ex-comandante-geral do CBMAM, Antônio Dias dos Santos, 57, viu-se obrigado a aposentar de maneira precoce. De início, a nova realidade não agradava ao amazonense – pai de três filhos -, que se via passando, inquieto, a maior parte do seu dia em casa.

Com o tempo, no entanto, Antônio enxergou na aposentadoria a oportunidade de se aproximar ainda mais dos herdeiros. A satisfação pessoal foi tanta que o ex-comandante-geral recusou diversas oportunidades de trabalho para não abrir mão do tempo com a família, formada pela esposa Aldezir e pelos filhos Mônica, Desirê e Luís Carlos.

“O meu relacionamento com a família melhorou muito após a aposentadoria, já que pude dedicar mais tempo às atividades familiares, ficando mais presente e mais disponível. Quando se trabalha muito, a relação com os filhos passa a girar mais em torno de orientações e cobranças. Agora, com meu tempo livre e amadurecimento natural,  o coração fica mais mole perto dos três”, ressaltou Antônio.

Home office

Devido à crise econômica, o engenheiro civil Leandro Moreira, 38, sentiu a necessidade de desenvolver um modelo de negócio para completar e melhorar a renda familiar. O resultado fez com que ele trabalhasse 100% de casa.

Com a decisão, o engenheiro vivenciou não somente um crescimento profissional, mas também pessoal – ao poder passar mais tempo com os filhos Lucas e Ester. “Comecei a entender melhor as dificuldades de administrar uma casa, tarefa de filhos e logística para levar para inglês e esporte. Passei a admirar ainda mais a minha esposa (risos)”, brincou Leandro.

“A minha relação com os meus filhos se tornou de extrema cumplicidade. É bom demais ter tempo para eles, entender as dificuldades de cada um e, consequentemente, acabar participando cada vez mais de suas vidas. Atualmente, voltei a trabalhar meio expediente fora de casa. Só aceitei nessas circunstâncias porque, hoje em dia, não abro mais mão da minha família”, encerrou.



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