Em velório, familiares e amigos relembram carreira de Oscarino, criador do Peteleco

O artista amazonense começou a carreira de ventríloquo em 1953, com o boneco Chiquinho. Em 1957, aos 20 anos, criou o boneco Peteleco. Em 2016, Oscarino & Peteleco foram declarados Patrimônio Cultural Imaterial de Manaus

Édria Caroline / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O corpo ventríloquo Oscarino Varjão está sendo velado no salão nobre do Palácio Rio Negro, no Centro de Manaus, desde às 8h desta segunda segunda-feira (16). Oscarino estava internado no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, desde a manhã da última sexta-feira (13), quando deu entrada com fortes dores no estômago. O ventríloquo morreu por volta das 20h de domingo (15) após uma parada cardíaca.

Peteleco foi colocado no velório de Oscarino (Foto: Pablo Trindade)

No velório, familiares e amigos do ventríloquo prestam as últimas homenagens ao pai do boneco Peteleco, Patrimônio Cultural e Imaterial do Amazonas. O filho caçula de Oscarino, Rafael Rodrigo Varjão, tem lembranças que o enchem de orgulho. “Eu acompanhava meu pai e o Peteleco nos shows que eles faziam na cidade e no interior. Eu era o braço direito dele. Quando o Peteleco foi nomeado como Patrimônio Cultural do Estado foi um momento de grande satisfação e emoção para todos nós”, conta o filho.

A escritora Ana Peixoto, amiga da família, esteve em um dos últimos show da dupla Oscarino e Peteleco, no Largo São Sebastião, em dezembro de 2017. “Mesmo debilitado, ele contou histórias, fez piadas e pediu para que orassem pela saúde dele. E ele estava na presença de toda a família. Esse é uma imagem linda que eu tenho”, disse a escritora.

Amigo de Oscarino há 27 anos, Fernando da Costa, o ‘Palhaço Goiabada’, leva do amigo de longa data muito aprendizado. “Ele deixa um legado para a família e a nós, amigos. Viver da arte é muito difícil e ele conseguiu isso por 61 anos”, destacou.

Responsável pelo documentário que conta a história de mais de 60 anos da dupla Oscarino e Peteleco, o produtor audiovisual Anderson Mendes disse que um completava o outro. “Quando nós começamos a gravar o documentário, em 2016, ele já estava debilitado. Mas quando ele pegava o boneco (Peteleco), se transformava. Um dava suporte para o outro, um ajudava o outro, eles se entendiam. Era incrível de ver”, enfatizou o produtor, que levou o documentário a vários festivais de cinema do País.

História

Em nota de pesar, a Prefeitura de Manaus, em nome do prefeito Arthur Virgílio Neto e da primeira-dama e presidente do Fundo Manaus Solidária, Elisabeth Valeiko Ribeiro, lamentou o falecimento do artista. O prefeito ressaltou que Manaus e o Amazonas perderam um de seus grandes talentos, dono de humor puro, simples e crítico, que traduzia em sua arte os costumes e valores da terra.

De acordo com a Prefeitura, Oscarino Farias Varjão nasceu no Paraná do Xiborena, Rio Solimões, Amazonas, em maio de 1937. Ele começou a carreira de ventríloquo em 1953, com o boneco Chiquinho, em Manaus. Em 1957, aos 20 anos de idade, Oscarino criou o boneco Peteleco. Em 2016, Oscarino & Peteleco foram declarados Patrimônio Cultural Imaterial de Manaus.

Reconhecido como um dos grandes mestres de sua arte, principalmente pela habilidade de se expressar sem mexer a boca, Oscarino chegou a se apresentar em programa de TV nacional, em 2000.

O artista enfrentava um câncer e faleceu no Hospital 28 de Agosto, depois de três dias internado, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

O sepultamento de Oscarino Varjão está previsto para ocorrer às 16h desta segunda-feira, no Cemitério São João Batista, na zona sul de Manaus.

Em velório, familiares e amigos relembram carreira de Oscarino, criador do Peteleco (Foto: Pablo Trindade)