‘Estrangeiro’ e as metáforas da vida

Criado pelo Erva Daninha Coletivo de Pesquisa em Artes da Cena, espetáculo dá liberdade ao espectador para elaborar a história junto aos artistas. Apresentação acontece, hoje, no Usina Chaminé

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Durante o mês de janeiro, o Centro Cultural Usina Chaminé, na Avenida Lorenço da Silva Braga, s/nº, Centro, servirá de casa para o espetáculo ‘Estrangeiro’. Realizada pelo Erva Daninha Coletivo de Pesquisa em Artes da Cena, a montagem será apresentada, neste sábado (12) e nos dias 19 e 26, sempre às 19h. Os ingressos serão vendidos na hora e custarão R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). A faixa etária da peça é de 14 anos.

‘Estrangeiro’ se trata de uma narrativa que mostra, através de performatividades, um universo surrealista, onde é encenada uma série de metáforas sobre desejos velados, saudades caladas e repressões internalizadas. Ao ser construído, o espetáculo teve a sua dramaturgia pensada a partir do ponto de vista performativo, dando liberdade ao espectador para elaborar a história junto aos performers, a partir de suas próprias leituras.

Montagem conta com um total de oito performers e direção de Paulo Tiago (Foto: Divulgação/Larissa Martins)

Durante 50 minutos, o público é apresentado a personagens das mais diversas origens – ‘encontrados’, pelos próprios atores, durante o processo de criação da montagem. Entre eles: a venezuelana Maitê, que foi embora em busca de seu grande amor; Dora, uma artista em decadência que nunca perdeu o desejo pela vida; e haitianos frustrados pela falta de emprego, para citar alguns.

Ao todo, oito performers encabeçam ‘Estrangeiro’: Thayná Liartes, Julia Morinaga, André Henrines, Lucas Macedo, Mateus Cardozo, César Britchello, Clara Monteiro e Maiky Neves. A direção ficou a cargo de Paulo Tiago.

Sobre o Coletivo

Erva Daninha Coletivo de Pesquisa em Artes da Cena nasceu, em 2018, com o objetivo de investigar o teatro contemporâneo e trazer desenvolvimento cultural à dança, no meio artístico de Manaus. Explorar a interculturalidade, também, foi algo que mobilizou o grupo. “Isso nos trouxe muitas inquietações e nos deu a possibilidade de alimentar um processo que se trata do encontro com o outro, da saída de si e do ver-se de fora”, afirmam os artistas.

O primeiro encontro do coletivo aconteceu no último mês de agosto. Na ocasião, o material discutido foi o texto ‘Um Bonde Chamado Desejo’, de Tennessee Willams. “Blanche (a protagonista) nos fez refletir sobre sua fuga do Mississipi para Nova Orleans, sua força e inocência sensual, abrindo, então, caminhos”, explica o Erva Daninha. “No decorrer dos encontros, começamos a experimentar, através do ‘happening’ (forma de expressão das artes), possibilidades de transformação desses desejos de se tornar, de se encontrar, ou melhor, de ser um duplo”.