Culinária amazônica sofisticada resgata tradições

De cara nova e de avô para o neto, o restaurante Palhoça, famoso nos anos 1970, surpreende com cardápio e design contemporâneo

Maria Luiza Dacio / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O famoso ambiente dançante nos anos 1970, reconhecido pela arquitetura marcante e pela inovação em seus pratos, está de volta. O restaurante Palhoça retorna à lista de opções dos amantes da culinária, na capital amazonense.

De avô para o neto, o ‘novo’ Palhoça une rusticidade, cultura amazônica e o alto consumo. Em sua trajetória, o local detinha traços amazônicos tanto no ambiente e arquitetura, quanto em seu variado cardápio. Jacob Benaion, o atual proprietário, conta que os pais administraram por anos o restaurante, mas que, na época do fechamento, os filhos optaram por não dar continuidade ao negócio.

O ‘filé caboquinho’ e o ‘Sinfonia Amazônica’ são os pratos mais famosos do ‘novo’ palhoça (Foto: Sandro Pereira)

“Tanto eu como minha esposa somos formados em Administração e meu filho, em Gastronomia. Com isso, nós buscamos resgatar o restaurante. O nome tradicional, mas com uma fachada moderna”, explica o administrador, que salienta, ainda, que o novo local é climatizado, mas, mantém os detalhes amazônicos que marcaram o antigo espaço, que era aberto. Outro detalhe, a presença do vidro em seu revestimento remete às antigas instalações.

O novo Palhoça

Outra marca registrada que foi resgatada no novo local foi a música e a dança. O empresário afirma que Manaus ainda carece de lugares para dançar. “O Palhoça sempre teve música ao vivo. Trouxemos o mesmo cantor que animava as nossas noites. O Armandinho veio para ajudar a manter as tradições”, conta.

Uma das inovações do novo espaço é a área destinada ao co-working. O ‘quadradinho de vidro’ comporta de 40 a 50 pessoas e pode ser utilizado para eventos. As salas de trabalho compartilhado oferecem comodidade a empreendedores criativos.

O local, além de restaurante, será, também, cafeteria. A proposta é servir a todos os gostos — desde o regional, passando pelo comum até o sofisticado. Para o empreendimento, a barista Carla Sardenberg está vindo do Rio de Janeiro para a atividade. O objetivo, de acordo com Benaion, é justamente ser uma nova opção de cafeteria com os cafés especiais, quentes e gelados, já conhecidos pelos clientes.

Culinária

A comida do Palhoça é comandada pelos chefs Moysés Benaion e Pereira. “Estamos trabalhando para trazer qualidade nos serviços. O nosso grande diferencial em um restaurante amazônico é ter, além dos peixes amazônicos que todo restaurante tem, a busca pela carne e os risotos amazônicos, como o risoto de tucumã”, salienta Jacob.

Para atender e englobar todos os públicos o restaurante possui, também, almoço executivo. Peixe ao molho de camarão e o prato ‘Sinfonia Amazônica’ são os quitutes mais consagrados, justamente pela unificação do amazônico com a culinária global.

O chef Moysés Benaion diz que a finalidade é evoluir a culinária da região. “O ‘filé caboquinho’ tem uma redução de açaí e é recheado com queijo coalho, e isso reflete o que queremos mostrar: a mistura do que é tendência com o regional. O cardápio foi pensado para atender todos os públicos, de todas as formas e que a pessoa saia satisfeita”, finaliza Moysés.

Outro objetivo é atender ao público que viaja para fora do Amazonas e quem conhece várias culturas. “Eu quis sofisticar os pratos amazônicos e quebrar os paradigmas do amazônico só com tucupi, jambu e peixe. Oferecemos as carnes, ‘steaks’ como o filé Wellington, pato, carneiro e vários outros. Acredito que o carro-chefe seja a ‘Sinfonia Amazônica’”, completa o chefe Pereira.

Peixe ao molho de camarão e o prato ‘Sinfonia Amazônica’ são os quitutes mais consagrados (Foto: Sandro Pereira)

Arquitetura

Diferente do antigo restaurante, cuja estrutura era formada por duas cabanas de palha, o novo local possui elegância e arquitetura diferenciadas. A estruturação do espaço é uma releitura do tradicional Palhoça, como ele já existiu um dia.

Jaqueline Feitosa foi a arquiteta responsável para ter os novos olhares sob a tradição. “O objetivo é ser uma releitura contemporânea para seguir a linha daquilo que é o objetivo do restaurante. O espaço físico tinha que refletir os ideais também, a começar pela chegada e ambiente. A intenção é que esse espaço contextualizasse a experiência”, frisa Jaqueline.

A designer de interiores Danielle Hayden falou sobre a busca da elegância no ambiente. “Traduzimos a história do restaurante. Cada canto tem seu simbolismo”, justifica. O local também expõe fotografias do grupo Amazon BW photo, que exibe fotos da região em preto-e-branco.

Moacyr Andrade assina o quadro que decora o espaço de refeições e co-working, conhecido por ‘quadradinho de vidro’.



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