Jorge Ben Jor grava ‘Luau MTV’ com foco em projetos futuros

Com previsão de ir ao ar em abril, juntamente com o lançamento do CD e do DVD, o "Luau MTV" conta com sucessos que não ficam fora dos shows de Ben Jor.

Rio de Janeiro – De Fiuk a Zé Ramalho, passando por Sandra de Sá, Carlinhos Brown e Zeca Pagodinho, Jorge Ben Jor reuniu em Paraty para a gravação do programa “Luau MTV”, na última terça-feira, um time de convidados que retrata a diversidade de estilos e gerações que sua música seduz. Os planos para 2012 espelham a tangência entre repetição e renovação que marca seu trabalho.

Com previsão de ir ao ar em abril, juntamente com o lançamento do CD e do DVD, o “Luau MTV” conta com sucessos que não ficam fora dos shows de Ben Jor: “A banda do Zé Pretinho”, “Ive Brussel”, “Taj Mahal”, “Que maravilha”, “País tropical”. Mas também foram levados ao palco da Praia do Pontal encontros recentes do artista, como com Fiuk em “Quero toda noite” e com Zeca Pagodinho em “Ogum”.

Carlinhos Brown — acompanhado de três percussionistas da Timbalada — e Sandra de Sá participaram de uma versão de “Charles Anjo 45”; Zé Ramalho fez duo em “Errare humanum est”; e ainda haverá gravações com Marisa Monte (“Descalço no parque”) e Mano Brown (“Umbabarauma” ou alguma a escolher).

— O público não pede coisas novas. Pede as antigas. Estou surpreso (com o conhecimento dos fãs) — disse Ben Jor depois das quase duas horas de show, garantindo que tem muitas canções novas para gravar, faltando apenas ter as condições de produção. — Estou cheio de músicas inéditas, mas esperando.

Seu último disco de inéditas é de 2004, “Reactivus amor est”. Outro projeto fonográfico para 2012 não tem repertório novo, mas será um dos acontecimentos musicais do ano, caso vingue. Ben Jor está se preparando para refazer em estúdio “A tábua de esmeralda”, um de seus principais discos, realizado em 1974.

— Igual, não vai ser. Chamei o Paulinho Tapajós, que foi o produtor na época, procuramos dois estúdios, e o único técnico que trabalhou no disco e está vivo disse que aquele som não é mais possível. O estúdio de hoje é moderno, melhor, o digital é limpinho, mas não tira aquele som com respiração. O que eu fazia com o violão ovation sem efeito nenhum agora vai precisar de efeito. A única coisa que a gente usava era uma máquina pra imitar eco — conta ele, que, depois de tanto tempo dedicado à guitarra, voltará a tocar seu violão marcante, revelado para o grande público em “Samba esquema novo” (1963), estreia que tinha “Mas que nada” como faixa de abertura.

Ben Jor quer que os três arranjadores de “A tábua de esmeralda” que estão vivos participem do trabalho: Hugo Bellard, Osmar Milito e Arthur Verocai — Darcy de Paulo morreu em 2000.

— Pretendo fazer um disco bem medieval. Naquela época, tive de aprender harmonia renascentista — lembra.

Do repertório do então LP do então Jorge Ben constam “Os alquimistas estão chegando”, “Errare humanum est” e “O namorado da viúva”, que foram cantadas em Paraty. “O homem da gravata florida”, “Menina mulher da pele preta”, “Zumbi” e “Brother” são outras músicas importantes do disco.

Sem comemorações

Nenhum dos planos para esta temporada tem ligação com os oficiais 70 anos que Ben Jor completa em 22 de março — a data está em praticamente todos os registros sobre sua vida, mas ele nega. Muito incomodado ao ser perguntado sobre o assunto, ele disse não entender por que deveria comemorar algo. Em seguida, afirmou não ser de 1942:

— Há um engano. Ainda falta muito tempo para 70 anos. O que é isso? Sou de 1945.

Logo após o carnaval, Ben Jor fará dois shows na Lapa: na Quarta-feira de Cinzas no Lapa 40° e no dia 24, no Circo Voador. Ele está combinando em sua banda, como mostrou em Paraty, a juventude do baterista Lucas Real Fernandes com a experiência de Neném da Cuíca, e contando ainda com Dadi no baixo, Lorival Costa no teclado e um naipe de três sopros (Marlon Sette, Altair Martins e Jean Arnoult).