Amazonino quer repetir com a Cigás o que fez com a Cosama

Em 2000, Amazonino Mendes era o governador do Estado e Samuel Hanan, atual presidente do Conselho de Administração de Companhia de Gás do Amazonas, era o vice-governador

Álisson Castro / redacao@diarioam.com.br

Manaus – “Mesmo roteiro com mesmo atores” é como deputados estaduais avaliam a gestão do governador Amazonino Mendes em relação ao processo de privatização da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), que, para os parlamentares, é semelhante à privatização da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), ocorrida em 2000, que resultou em ações judiciais. Na época, Amazonino era o governador do Estado e Samuel Hanan, atual presidente do Conselho de Administração de Cigás, era vice-governador do Amazonas.

Para o deputado estadual Luiz Castro (Rede), o governador não deveria promover a privatização da Cigás. “Eu acho que deve ser mais debatido no cenário. Tem que ser conversado com a sociedade. Não é o momento. Este momento é de reorganizar a gestão pública, precisa organizar a saúde, educação e não fazer um processo de venda da acionária da Cigás a toque de caixa, no governo que é apenas de dez meses. Acho que promover um estudo é legítimo, mas tomar decisão de privatizar a empresa é um grave erro e gera enorme suspeição”, afirmou.

Sócio de Amazonino, Samuel Hanan hoje está no controle da Cigás (Foto: Sandro Pereira)

Já o deputado estadual Platiny Soares (PSL) afirmou que Amazonino Mendes quer fazer uma negociata com a venda da Cigás. “Ele colocou o sócio para negociar a venda, uma venda bilionária. Com isto, o governador demonstra que não tem impessoalidade na administração. Coloca empresas para fazer serviços particulares, o sócio para fazer a venda de uma empresa. Ele pensa que está administrando a casa dele, fazendo algo muito similar ao jargão que ele popularizou na eleição, ‘arrumar a casa’, mas ele está transformando o governo na casa dele, em que pensa que pode fazer qualquer coisa ao arrepio da lei. Em relação à privatização da Cigás, é outra novela com os mesmos atores e mesmo roteiro”, disse o parlamentar.

Venda do restante das ações da Cigás volta à pauta, após o governador Amazonino Mendes colocar o sócio Samuel Hanan no Conselho de Administração da concessionária (Foto: Sandro Pereira)

De acordo com o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) deve agir no caso. “O Amazonino tem que dar uma demonstração de que ele é um homem moderno, não basta só tirar ‘selfie’. Ele tem que entender que nós vivemos novos tempos e ele deveria voltar atrás. Manter isto aí vai dar uma enorme confusão. Se o Ministério Público (do Amazonas) não fizer nada, é melhor fechar”, disse.

Ainda segundo Serafim, caso o processo de privatização da Cigás tenha que passar pela Assembleia Legislativa do Estado, ele não será aprovado. “A realidade é outra, não passaria. A intenção de privatizar a Cigás é uma notícia que circula intensamente nos bastidores”, afirmou.

Para o deputado estadual José Ricardo (PT), a privatização da Cigás causará prejuízos ao Estado do Amazonas. “A Cigás é fundamental para a geração de energia e, agora, eles querem entregar tudo. A época do Amazonino e do Fernando Henrique Cardoso era a época das privatizações, então, venderam patrimônio público quase de graça. A Cosama, o Banco do Estado do Amazonas (BEA), Porto de Manaus — que, hoje, está sem condições, um porto histórico que deveria ser regido pelo poder público e aberto para a população. Não tenho dúvidas que haverá prejuízos. Privatizar energia que deveria ficar na mão do poder público para gerenciar energia para a cidade no interior, por onde passa o gasoduto. Isto é papel da Cigás”, frisou.

Governador coloca sócio para cuidar da venda da ‘joia da coroa’

No último domingo, a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) revelou que o governador Amazonino Armando Mendes (PDT) indicou o seu sócio, ex-vice-governador e ex-secretário de Estado da Fazenda, Samuel Assayag Hanan, para a presidência do Conselho de Administração da Companhia de Gás do Estado (Cigás), que está passando pelo segundo processo de privatização, que deve envolver valores próximos a R$ 1 bilhão. Hanan comandou, no governo de Amazonino, em 2002, o polêmico processo de privatização do serviço de água de Manaus, que ficou conhecido como ‘venda da Cosama’.

Em documento da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), Amazonino é sócio de Hanan na SMD Consultoria Ambiental e Empresarial Ltda., com capital social de R$ 400 mil. Também são sócios da empresa Marcelo Falcone Hanan e Daniel Falcone Hanan. A reportagem tentou ouvir o governador, via Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom), que não respondeu sobre a sociedade.

De acordo com o site Consulta Sócio, Amazonino é sócio de uma empresa em São Paulo e três no Amazonas. As mesmas informações estão disponíveis no site quadrosocietario.com. Aparecem como sócios de Amazonino: Christina Prado Mendes de Mello, Samuel Assayag Hanan, Marcelo Falcone Hanan, Daniel Falcone Hanan, Marcelo Potomati, Armando Clovis Prado de Negreiros Mendes e Helenice Potomati.

Venda da Cigás deve repertir a da Cosama

Em 2000, Amazonino Mendes era o governador do Estado e Samuel Hanan, atual presidente do Conselho de Administração de Companhia de Gás do Amazonas, era o vice-governador.Saiba mais: http://ow.ly/YxEy30iUMVo

Posted by D24am on Tuesday, March 13, 2018