Arthur critica acordo que beneficia Alckmin

Direção PSDB escolherá, no sábado, o novo presidente nacional, com favorecimento de Geraldo Alckmin, que segundo Arthur Neto, não terá isenção na hora de definir o nome do partido para a Presidência

Da Redação com Agências / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O PSDB terá uma semana decisiva com a realização da convenção do partido, no próximo sábado (9), em Brasília, para a escolha do seu novo presidente e dos membros do diretório nacional, que servirá como o desembarque oficial do governo Michel Temer. Na disputa declarada está o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, contestado pelo prefeito de Manaus, Arhur Virgílio Neto, que se apresenta como alternativa para obter apoio da legenda para disputar a Presidência da República, em 2018. O prefeito cobra novos rumos da sigla para evitar que o partido continue como “tetra-vice-campeão” no segundo turno.

A busca por um consenso para conduzir Alckmin à presidência da sigla é rechaçada pelo prefeito Arthur Neto. Ao jornal Folha de S. Paulo disse estar sendo “violentado por manobras”. Por repetidas vezes o prefeito tem anunciado que é “constrangedor” ter Alckmin na presidência do PSDB, sem a necessária isenção para deixar de utilizar a estrutura do partido na hora da escolha do futuro nome para o Palácio do Planalto.

Grande parte da base do partido defende o desembarque do governo para mirar nas eleições do próximo ano, enquanto que a cúpula sustenta que a medida deixará o PSDB mais à vontade. O governador Alckmin disse que, mesmo fora do governo, o partido apoiará as reformas que considera importantes para a agenda econômica do País, como a da Previdência. Como demonstração dessa proximidade com o Planalto, o governador apareceu, no último sábado, em evento no interior de São Paulo, com o presidente Temer, para a entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida.

Arthur tem defendido prévias internas do partido em dez Estados para a escolha do indicado à Presidência, mesmo após o prazo de desincompatibilização, quando o candidato deixa o cargo público. “Não estou cometendo nenhum crime. Só estou dizendo que vou disputar as prévias do partido”. Sobre o assunto, tem sido direto aos líderes da legenda: Virgílio já avisou que não aceita um modelo restrito: “A prévia pode ser uma farsa, com 500 e poucas pessoas votando, ou aberta a todos os filiados”, disse.

Ao ser visto como uma alternativa do partido fora do eixo São Paulo e Minas, há até especulações sobre uma possível composição de chapa, com o hoje também presidenciável ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que colhe os frutos em tentar colocar o País nos eixos, após a maior crise econômica já enfrentada. Ao site O Antagonista, Arthur disse que “topa” ter Meirelles como seu vice, em uma composição para o Planalto.

Ao blog Poder 360, Arthur Neto confirmou, no último sábado, a dificuldade para derrotar Alckmin nas eleições internas, mas está confiante quanto às chances de chegar ao Palácio do Planalto se romper essa barreira e ser o escolhido, em março de 2018, com o candidato do PSDB à Presidência, informou o canal de notícias. “Já ouvi que acham muito difícil eu vencer as prévias, mas muitos concordam que eu seria um candidato até mais forte do que ele seria. Eu concordo”, afirmou Arthur.

De acordo com o blog do jornalista Luiz Felipe Barbieri, o prefeito disse que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso errou ao propor uma aliança em torno de Alckmin para evitar as prévias no partido e que o PSDB estaria perdendo uma oportunidade de mostrar ao Brasil suas propostas para 2018. “(Sem as prévias) estaríamos varrendo esse programa do PSDB pra baixo do tapete. Não estaríamos olhando nos olhos da nação. Vamos ter algum tempo, alguns meses para olhar nos olhos da nação, falando pra ela o que a gente é, pra ela dizer pra gente o que ela viu de errado no PSDB, para fazer uma catarse”.

Renovação

O Poder 360 relata que o prefeito defende o afastamento dos tucanos de partidos como PMDB e PP e pede renovação das alianças políticas para as eleições do ano que vem. “Não é bom para o partido, não é bom para o País nós nos juntarmos ao PMDB, ao PP também. Temos de buscar um outro arco de alianças”, disse Arthur Neto.
“Hoje, a nação não gosta do PSDB. O partido está pior que o PMDB, que o PP. Pior porque era o partido da esperança, o partido da seriedade, o partido que teve 48,5% dos votos à Presidência da República em 2014, o partido que tinha saído com uma proposta de realmente fazer alguma coisa nova na política”, completou o prefeito.

Mercado

O mercado procura o equilíbrio e a estabilidade, principalmente após anos de turbulência. Um nome com experiência na vida pública agrada os agentes econômicos e executivos. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, neste final de semana, o presidente da Vale Fabio Schvartsman, não acredita em alguém de fora da política para tocar o País. “Um político tem de saber o que está fazendo. Não pode ser uma criação de última hora. Acredito em carreira, na qual as pessoas aprendem ao longo de sua vida e que, consequentemente, não leve a uma eleição de ‘outsiders’. Mas é importante que haja renovação”, disse.