Ativistas criticam Temer, mas não se arrependem de impeachment de Dilma

Lideranças, coordenadores e participantes das manifestações pelo impeachment, em Manaus, criticam o governo. Alguns dizem que é o mesmo grupo político que permaneceu no poder, em Brasília

Álisson Castro / redacao@diarioam.com.br

Brasília – Organizadores e participantes das manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT) afirmam que estão decepcionados com o governo do presidente Michel Temer (PMDB), mas não se arrependem de ter pedido o afastamento da petista.

Para o produtor de eventos Júnior Oliveira, 26, o atual presidente deveria renunciar ao mandato devido às denúncias de corrupção que o envolvem diretamente. “O nosso País se encontra em uma situação vergonhosa a qual os políticos não representam mais o povo e é muito vergonhosa a situação do atual presidente (Temer) que se envolveu em diversos esquemas de corrupção. E eu que estive nas ruas de Manaus lutando contra o governo da presidente Dilma me sinto envergonhado porque Michel seria uma esperança para o Brasil, mas acabou sendo quase o mesmo que a ex-presidente. Hoje, na minha opinião, o mais viável é a renúncia do presidente Temer”, disse.

Os casos de impeachment de Dilma e Collor podem ser caracterizados por momento de crise econômica e baixa popularidade dos presidentes (Foto: Reinaldo Okita)

Uma das principais organizadoras das manifestações em Manaus, coordenadora do Movimento Amazonas em Ação, Iza Oliveira, é outra crítica do atual governo mas defende a permanência de Temer até 2018. “Para mim, com a mudança de governo, não mudou nada. Uma quadrilha continua no poder em Brasília, na minha opinião, são as mesmas pessoas que estavam no governo anterior. A gente esperava que o Lula fosse preso e isto não aconteceu, esperávamos a cassação da chapa Dilma-Temer, isto também não aconteceu. Agora, tirar o presidente para colocar outro pode ser ruim, é melhor deixar ele mesmo lá até 2018, quando vai ter as novas eleições”, afirmou.

Outro coordenador nas manifestações em Manaus, funcionário público Rodrigo Guedes, 29, o atual governo é tão ruim quanto na época da presidente Dilma. “O presidente Temer está sem condições de governar, acho que ele merecia o mesmo fim da ex-presidente. Da minha parte, não tem sentimento de que não valeu a pena fazer as manifestações, porque nós não organizamos aquelas manifestações para colocar outro presidente, mesmo que esta tenha sido a consequência natural e legal. Nós não fizemos nada pró-Temer, fizemos porque havia um complicado cenário político, social e havia crimes de responsabilidades configurados. Eu, inclusive, sou favorável a manifestações pelo ‘Fora Temer’, mesmo que a situação econômica seja favorável. Isto não justifica a permanência dele”, afirmou Guedes.

A profissional de marketing Ana Cláudia Aranha, 48, moradora da cidade de Sorocaba, no Estado de São Paulo que participou em manifestações na Avenida Paulista, disse que esperava mudanças com o governo de Michel Temer. “Apesar de ter toda aquela carga de ser vice do PT e tudo mais, eu achava que o Temer não iria perder a chance de fazer o nome dele na história do País. O que eu acreditava, naquele momento, pós-impeachment é que ele, poderia sim, reconstruir a moral ética e política e elevar o País financeiramente. Como brasileira, eu tinha que acreditar nisto. Hoje ele mostrou ser conivente e que tudo que os outros fizeram ele também fez, isto está claro. Ele não teve postura diferente daquele governo de ‘propinocracia’ que o PT fez. Hoje eu defendo que ele seja investigado, sim”, afirmou.

O coordenador do programa de pós-graduação de Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Marcelo Seráfico afirmou que, no ano passado, houve uma orquestração pela saída da ex-presidente Dilma. “Houve quase uma campanha publicitária para identificar a crise econômica e corrupção com a presidente Dilma e com o PT. Feito o impeachment e passado o primeiro ano do governo Temer, é inegável que estas pessoas tiveram que reconhecer que nem a crise, nem a corrupção tinham a ver, exclusivamente com o governo do PT. A corrupção é coisa constituinte do sistema político brasileiro e a crise tinha a ver com o tipo de articulação que o Brasil estabeleceu com a economia mundial. Estas pessoas se surpreenderam pela própria análise que fizeram da situação e os limites desta análise, às vezes, estão relacionados a uma campanha publicitária que, ao invés de informar o que vinha acontecendo, buscava demonizar determinadas pessoas e partidos”, afirmou o sociólogo.



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