Candidatos à Presidência terão maior segurança após atentado

A Polícia Federal convocou os chefes de segurança de todos os candidatos à Presidência para uma reunião neste sábado. O objetivo é reavaliar o “grau de risco” de cada campanha

Estadão Conteúdo / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O diretor-geral da Polícia Federal Rogério Galloro convocou os chefes de segurança de todas os candidatos à Presidência da República para uma reunião, neste sábado (8). O objetivo do encontro é reavaliar o “grau de risco” de cada campanha após o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) e alinhar os procedimentos a serem implementados para garantir a segurança pelo resto da campanha eleitoral.

Após atentado contra Jair Bolsonaro, nas ruas de Juiz de Fora, há um novo grau de risco e a PF quer conscientizar as campanhas (Foto: Fábio Motta/AE)

Após essa reunião com os policiais que chefiam as equipes que fazem a segurança dos candidatos, Galloro pretende se reunir com os representantes das próprias campanhas.

Enquanto a primeira reunião tem por objetivo reavaliar a situação e definir a estratégia da segurança a ser realizada pela PF daqui pra frente, o segundo encontro tem como finalidade ‘sensibilizar’ as campanhas sobre a importância de seguir as regras de segurança a serem estipuladas.

A reunião com os chefes de segurança deve ser realizada, em Brasília. Aquele, que estiverem em alguma agenda com os candidatos participarão via videoconferência. No caso da reunião com os coordenadores de campanha, Galloro ainda tenta definir local e horário.

Um policial envolvido na segurança disse que a reunião com os representantes das campanhas é muito importante porque a relação entre os seguranças da PF e os candidatos nunca é de subordinação. Como exemplo, cita esse policial federal, a PF não pode obrigar o candidato a evitar eventos espontâneos – como ser carregado nos braços da multidão, mudar trajeto em cima da hora ou quebrar algum protocolo de segurança.

Nesse cenário, e com o novo grau de risco após o atentado a Bolsonaro, a PF quer conscientizar as campanhas sobre a importância do candidato seguir os protocolos estabelecidos pela equipe de segurança.

Atentado

Golpeado na região do abdome na tarde de quinta-feira, enquanto fazia campanha em Juiz de Fora, Bolsonaro foi atendido na Santa Casa da cidade, onde passou por uma cirurgia. Ele foi transferido nesta manhã para São Paulo, onde ficará internado no Hospital Israelita Albert Einstein, no Morumbi. O estado de saúde dele é considerado grave, mas estável.

Bolsonaro é ferido com faca durante campanha em Juiz de Fora (Foto: Estadão)

O homem que esfaqueou o candidato é Adelio Bispo de Oliveira. Ele foi transferido na manhã desta sexta-feira, da sede da Polícia Federal em Juiz de Fora para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (CERESP), também no município mineiro. Uma fonte da PF disse ao Estado que a corporação vai pedir que ele ficar em um local isolado e que sua segurança seja reforçada para evitar qualquer tipo de retaliação que possa esquentar ainda mais o clima da campanha eleitoral.

Ainda na manhã de ontem (7), a Polícia Federal liberou um segundo suspeito do atentado, que, sem ligação direta com o ato, teria incitado a violência. Ele foi “detido, ouvido e liberado, mas segue na condição de investigado”, informou a PF. Ao todo, segundo o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, três pessoas são investigadas.

PF alertou equipe de Bolsonaro sobre dificuldade de protegê-lo

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nesta sexta-feira, 7, que o candidato à presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, e sua coordenação de campanha foram alertados pela Polícia Federal, antes do atentado em Juiz de Fora (MG), de que não era possível fazer sua segurança em atos de campanha como o do dia 6, quando o presidenciável se lançou à multidão e foi atacado com uma faca.

“Já havia sido conversado com a campanha de Bolsonaro que ficava muito difícil de fazer a segurança quando ele se lançava na multidão. Aquela situação (do atentado) não tinha nenhum controle. Foi chamada atenção do Bolsonaro e de outros candidatos que não dava para fazer a segurança nessas condições. Avisamos as famílias dos candidatos que têm que seguir o protocolo da PF”, afirmou.

Segundo o ministro, a Polícia Federal disponibilizou o maior número de agentes para a segurança de Bolsonaro na campanha. Ele teria um efetivo de 21 policiais federais à disposição e, no momento do atentado em Juiz de Fora, 13 policiais estavam com ele.

O efetivo da PF destinado à segurança dos candidatos à Presidência será ampliado em 60%. 80 policiais foram destacados para acompanhar, além de Bolsonaro, os candidatos Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin e Álvaro Dias.

De acordo com o ministro, o número de policiais destinado a cada campanha varia de acordo com a análise de risco feita pela corporação – Bolsonaro é o candidato com maior efetivo. O diretor-geral da instituição, Rogério Galloro, ordenou que o crime seja solucionado no menor tempo possível.