Debate do Estado de S. Paulo retoma tema contra a corrupção

O primeiro debate presidencial após o atentado contra Jair Bolsonaro (PSL) retomou a discussão sobre o combate à corrupção nos embates entre os postulantes ao Palácio do Planalto

Estadão Conteúdo / redacao@diarioam.com.br

São Paulo – O primeiro debate presidencial após o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), promovido neste domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo em parceria com a TV Gazeta, a Rádio Jovem Pan e o Twitter, retomou a discussão sobre o combate à corrupção nos embates entre os postulantes ao Palácio do Planalto. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) respondeu pela primeira vez em um encontro com adversários sobre a acusação de improbidade administrativa em ação apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, no dia 6. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato, e o PT também foram alvo.

O debate foi promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo em parceria com a TV Gazeta, a Rádio Jovem Pan e o Twitter (Foto: Suamy Beydoun/AE)

O tema da corrupção dominou o segundo bloco do debate. Já na primeira pergunta, Alckmin teve de responder sobre a ação na qual é acusado de enriquecimento ilícito por suposto caixa 2 da Odebrecht na campanha de 2014. “Estranho que isso (a acusação) ocorra a menos de 30 dias das eleições”, disse.

Ao ser questionado por Marina Silva (Rede), o tucano fez questão de diferenciar o caso do ex-presidente Lula, que foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, e do senador Aécio Neves. “Ele (Lula) foi condenado em segunda instância. Aécio nem julgado foi. Lei é para todo mundo. Quem deve, deve responder, deve ser punido. Quem não deve, deve ser absolvido”.

Marina rebateu afirmando que “PT e PSDB passaram a ser faces da mesma moeda”. “O que diferencia Aécio é o fato de ter foro privilegiado. Por isso, somos a favor de acabar com o foro, se não, se criam dois pesos e duas medidas no processo de combate à corrupção”, disse Marina. Na tréplica, Alckmin relembrou o passado petista da candidata. “Marina esteve 20 anos no PT. Em 2006, ocorreu o mensalão. Ela não saiu do PT. Só saiu em 2008. Nós sempre estivemos do outro lado de onde estava o PT”, disse.

As questões éticas não se limitaram à polarização entre PT e PSDB. O candidato do MDB, Henrique Meirelles, foi questionado sobre investimentos que possui nas Bermudas, no Caribe. O emedebista disse que seus investimentos estavam em uma fundação “com finalidade de investir em educação no Brasil” depois que ele morrer.

O presidenciável Ciro Gomes (PDT), que foi quem levantou essa questão em entrevistas recentes, chegou a elogiar o adversário emedebista. “Fui colega do Meirelles e tenho apreço por ele. Não é uma pessoa desonesta. Mas o Brasil permite de forma imoral que ele, que comandou autoridade monetária, que vigia taxa de juros, e os brasileiros abastados, os ricos do Brasil, manter mais de R$ 500 bi no estrangeiro”, comentou.

Ciro foi questionado se vai dar força para a Lava Jato ou vai colocá-la “na caixinha”. O pedetista afirmou que Lava Jato “pode ser uma virada histórica”, mas a criticou a “justiça barulhenta”, disse.

Apoio à Lava Jato

Alckmin disse dar “total apoio à Lava Jato”. Os dois discordaram sobre a prisão de Lula. Ciro disse que “política é política e direito é direito”. “O Brasil garante quatro graus de jurisdição, o que é uma aberração. O Lula está com pena executada na segunda instância. Isso é novo”. Alckmin o contrariou e argumentou que a prisão em segunda instância é correta.

Os candidatos à Presidência da República também levaram a mensagem de repúdio à violência que dominou a campanha nos últimos dias após o atentado contra Jair Bolsonaro (PSL). Internado após ser esfaqueado durante uma agenda eleitoral na quinta-feira passada, em Juiz de Fora (MG), o presidenciável do PSL não participou.

A violência na política protagonizou o início e o fim do encontro entre os presidenciáveis. Alckmin e Marina foram os que mais abordaram o tema da “pacificação”. Primeiro a perguntar, Meirelles questionou o tucano sobre como por fim a “esse radicalismo que tanto prejudica o Brasil”, mencionando o fato “lamentável” envolvendo Bolsonaro. “É necessário um grande esforço conciliador”. “Sempre que há um esforço de união nacional, de pacificação, que é o que eu defendo, a democracia consolida-se”, respondeu Alckmin.