Eleitor do Amazonas eleva grau de escolaridade, aponta TSE

O percentual com Ensino Superior completo ou incompleto cresceu 186% em quatro anos e o índice de votantes que se declararam analfabetos ou que apenas leem e escrevem caiu 31% no período

Álisson Castro / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Eleitores que irão escolher os representantes do Amazonas no pleito deste ano têm maior grau de escolaridade em comparação com a eleição de 2014, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O percentual com Ensino Superior completo ou incompleto cresceu 186% no período de quatro anos e o índice de votantes que se declararam analfabetos ou que apenas leem e escrevem caiu 31% no mesmo período.

De acordo com o TSE, em 2014, 2,63% dos eleitores afirmavam ter nível Superior completo e outros 2,77% declararam Superior incompleto. Juntos, os índices totalizaram 5,4% dos 2.226.891 eleitores daquele ano, no Amazonas.

Os votantes com Ensino Médio completo representam a maior fatia do eleitorado, ou 29,35%, seguido dos que declararam ter o Ensino Fundamental incompleto, 21,98% (Foto: TSE/Roberto Jayme)

Em outubro deste ano, o TSE já contabiliza 9,01% de eleitores com Ensino Superior completo e 6,48% com Superior incompleto, que totaliza 15,49% dos eleitores que, em 2018, somam 2.428.098 votantes.

Em relação aos eleitores com menos escolaridade, na última eleição geral ordinária no Estado, em 2014, 6,79% afirmaram ser analfabetos e outros 12,62% disseram saber ler e escrever. Os índices totalizam 18,99%.

Os números de 2018 revelam que o Amazonas tem 5,78% eleitores analfabetos e 7,74% que apenas leem e escrevem, totalizando 12,94% de eleitores nestas condições.

Outros indicadores mostram a mudança do perfil do eleitorado amazonense. Em 2014, o percentual maior de votantes possuía o Ensino Fundamental incompleto, com 33% dos eleitores com este grau de escolaridade. Em segundo lugar, apareciam os votantes com Ensino Médio incompleto, que representava 20,56% do universo.

Para o pleito deste ano, os votantes com Ensino Médio completo representam a maior fatia do eleitorado, ou 29,35%, seguido dos que declararam ter o Ensino Fundamental incompleto, 21,98%.

Análise

De acordo com professores universitários, não há uma relação direta entre o aumento do grau de escolaridade e escolhas de políticos mais capacitados pelo eleitor.

O professor do curso de Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Luiz Antônio do Nascimento afirmou que o aumento de escolaridade não se reflete em maior analise crítica da política. “O acesso à escolarização é fruto daquele ‘boom’ do Enem, ProUni e abertura de vagas em universidades, que a gente tem que festejar. Agora, do ponto de vista da qualidade do voto, quem dera a universidade tivesse a capacidade de produzir uma mudança crítica no eleitor a ponto de melhorar a qualidade do voto. Pela experiência que eu tenho no Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Ufam, onde, em tese é o espaço onde mais deveria bater o coração desta formação crítica, não é isto que a gente tem visto nestes últimos anos”, disse.

Ainda para Nascimento, um sintoma desta realidade é a falta de atuação dos movimentos sociais no âmbito da universidade. “Um exemplo objetivo é o refluxo dos movimentos estudantis, em especial, dos movimentos institucionalizados como DCEs, Centros Acadêmicos etc, que, há muito tempo, não têm pautado o debate político na universidade e, tão pouco, fora dela (…) Não se parece que é um ato de transferência automática entre o aumento da escolaridade e melhoria da qualidade do voto. Se fosse assim, teríamos que dizer que o voto paulista, mineiro ou carioca, por exemplo, onde se tem uma escolaridade muito maior do que das regiões Norte e Nordeste, deveria expressar outra coisa, mas é ali onde se elege gente envolvida em corrupção há 20, 30 anos”, frisou.

Para o professor de Direito e presidente da Comissão de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Amazonas, Helso do Carmo Ribeiro Filho, a elevação do grau de escolaridade está relacionada com a maior de frustração com os políticos.

“O aumento de escolaridade é positivo, isto realmente tem ocorrido e pouca gente tem percebido esta melhora. O aumento da escolaridade aumenta, sim, o poder crítico do eleitor. Porém, a cada eleição tem aumentado o numero de abstenções, principalmente nas eleições gerais, em que os candidatos são, geralmente, mais distantes dos eleitores. O aumento de abstenção é de quase 5% em cada eleição, assim como aumenta os votos brancos e nulos. Então, escolaridade eleva também o poder crítico, assim como o desencanto com o que se apresenta aumenta também”, afirmou.