Rosa Weber: Entendemos que não houve falha da justiça eleitoral sobre fake news

Em junho, o ministro Luiz Fux, então presidente do TSE, disse que eleições poderiam ser anuladas caso seu resultado tenha sido influenciado pela disseminação de notícias falsas. Weber disse que faz leitura diferente sobre o tema

Estadão Conteúdo / redacao@diarioam.com.br

Brasília – A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, afirmou que o tribunal não falhou em relação ao tema do combate às fake news e disse que simplesmente não há uma resposta pronta e eficaz para o problema, que é de alcance mundial. A ministra concedeu coletiva de imprensa neste domingo (21), em meio a questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas e a críticas sobre atuação insuficiente das autoridades brasileiras para impedir as fake news na eleição.

Rosa Weber: Entendemos que não houve falha da justiça eleitoral sobre fake news (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

“Nós entendemos que não houve falha alguma da justiça eleitoral no que tange a fake News. Se tiverem a solução para que se evitem ou se coíbam fake news, nos apresentem. Nós ainda não descobrimos o milagre”, afirmou ela.

Para explicar, ela disse que o problema das fake news é global e tem levado à reflexão em várias sociedades. “Gostaríamos muito de ter uma resposta pronta e eficaz, infelizmente não temos”, disse.

A ministra disse estar especialmente preocupada com a divulgação de informações falsas sobre a própria justiça eleitoral – uma das questões sobre o tema é a segurança das urnas eletrônicas.

“A desinformação visando a minar a credibilidade da justiça eleitoral é intolerável e está merecendo a devida resposta, tanto na área jurisdicional como na área administrativa”, disse

O TSE deu início na sexta-feira (19), a uma ação de investigação eleitoral a pedido do PT diante da suspeita de que empresas possam ter pago a divulgação de notícias falsas contra o partido de modo a beneficiar o concorrente, Jair Bolsonaro (PSL). Em outro procedimento, a Polícia Federal abriu, a pedido da Procuradoria-Geral da República um inquérito para apurar se houve utilização de esquema profissional por parte das duas campanhas com o propósito de propagar notícias falsas. Também presente na coletiva de imprensa, o ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, destacou que esse inquérito tramitará sob sigilo.

Raul Jungmann, disse que não há anonimato nas redes socais e que a PF tem condições de efetivamente chegar a quem tentar ou cometer fraudes em relação à justiça eleitoral incluindo fake news.

Anulação

Em junho, o ministro Luiz Fux, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que eleições poderiam ser anuladas caso seu resultado tenha sido influenciado pela disseminação de notícias falsas. A ministra Rosa Weber disse que faz uma leitura diferente sobre o tema.

“Faço outra leitura do tema, mas vou me expressar caso seja necessário no processo judicial que me for submetido”, disse a ministra.